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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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Manual de realização

TVI derrota a SIC. Baratas, fogões imundos, comida apanhada do chão, um cozinheiro muçulmano que não pode provar os petiscos. O Pesadelo... tinha tudo para arrasar. Mas teve, sobretudo, um realizador de eleição.
06 de dezembro de 2019 às 11:18
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Nas gravações de 'Pesadelo na Cozinha' a mostrar o seu lado simpático e divertido
O mesmo apresentador, o mesmo formato, a mesma estratégia, o mesmo horário. A vitória de Ljubomir Stanisic, domingo à noite, prova que ainda há na estação quem perceba que, muitas vezes, o segredo é não inventar. Resultado: o ato de coragem do 'chef' Ljubomir, como o designámos na semana passada, ao voltar agora à antena, deu frutos, e ameaça desestabilizar a SIC.

A vitória foi merecida, porque a estreia da nova série foi extraordinária. Tratou-se de um festim de realização e consagra Manuel Amaro da Costa, o responsável pelo programa, como um realizador de topo. Manuel Amaro começou na informação, no início da década de 90 do século passado, mas fazer jornais era coisa pouca para tanto talento.

Passou aos grandes programas de debate, e realizou o primeiro formato em 360 graus na nossa televisão, o Artur Albarran, na TVI, em 1992. Ficção e entretenimento foram as áreas de progressão natural. Agora, o 'Pesadelo' e Ljubomir Stanisic são duas das suas melhores construções.

O 'Pesadelo' deste domingo tinha ritmo frenético, personagens reais bem explicadas ao espectador em apenas dois ou três planos, a narrativa a progredir em simples planos de pormenor. A gama de recursos utilizada faz da emissão de domingo uma pequena enciclopédia de realização. Não sabemos como estão os próximos episódios. Manter o ritmo vai ser difícil. Mas, ou muito me engano, ou Ljubomir, Manuel Amaro da Costa e as suas equipas ainda nos vão surpreender.

O VÍDEO DE NATAL
Sinal dos tempos – um dos melhores produtos televisivos do ano é feito por uma rádio. A Comercial faz todos os anos um hino de Natal, que mistura o humor culto com a paródia. Este ano, o vídeoclipe é de antologia, com a notícia do nascimento de Jesus como se fosse hoje. Até José Alberto Carvalho tem graça.

ELOGIO A MARCELO
Ao assistirmos ao provincianismo que representa uma quantidade de políticos, com o autarca de Lisboa à cabeça, a encherem uma doca à espera de uma rapariga de 16 anos, com uma operação televisiva complexa que meteu diretos ainda no mar alto, temos de elogiar o Presidente Marcelo, que por uma vez percebeu o ridículo do excesso de proselitismo.

ALTO RISCO
Nos arredores da capital, alguém encomenda a morte de uma jornalista de investigação, a troco de 150 mil euros. Três assassinos compram uma espingarda com mira telescópica, mas, por medo de falharem, acabam por fazer explodir uma bomba no carro de Daphne Caruana Galizia. Os assassinos e um empresário suspeito de ser o mandante estão presos. O crime, para o qual os leitores desta página foram alertados poucos dias depois de ter ocorrido, envolve, pelo menos, o entorno do primeiro-ministro de Malta. O jornalismo é uma profissão de alto risco.

CUIDADO, CRISTINA!
Cristina Ferreira é sinónimo de sucesso. Mas a fase atual da apresentadora coloca-a, muitas vezes, no limiar do excesso comunicacional. Há uma semana, em estúdio estava um doente de cancro, com poucos meses de vida. "Já pensou que pode ser o seu último Natal?", perguntou Cristina, com o tom sombrio que pensou ser mais adequado ao momento. Cuidado, Cristina. Não seja uma caricatura de si própria.

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