Carlos Rodrigues
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Marcelo HD

Presidente da República foi ao 'Alta Definição'. A emissão de sábado, sobretudo o seu resultado medíocre, marca o fim simbólico de uma era da democracia portuguesa. Os líderes políticos não mais serão formados no comentário televisivo.
18 de outubro de 2019 às 17:01
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Marcelo HD
Foto: D.R.

Está o ocorrer uma mudança profunda na comunicação televisiva dos políticos. Na era pós-Marcelo como comentador, é improvável que se venha a repetir o efeito de criação de um estadista a partir de um estúdio de televisão, como aconteceu com o atual Presidente.

No cabo, porque o auditório não chega para criar fenómenos globais; nas generalistas, porque a guerra mais apertada entre canais dispersou irremediavelmente a atenção. E assim, morre aos poucos o comentário como escola de líderes, onde medrou gente tão díspar como Sócrates e Santana, que se confrontaram na RTP1, Durão Barroso, comentador da génese da SIC Notícias, ou, lá está, exemplo máximo das saídas profissionais, Marcelo Rebelo de Sousa, que se mudou diretamente da TVI para o Palácio de Belém.

As experiências para encontrar novas formas de comunicação têm sido muitas, do arroz com atum de Cristas na Cristina, que pelos vistos pouco ajudou a cozinheira, às piadas mais ou menos brejeiras (como as preferências sexuais de determinado ex-dirigente partidário que vi serem questionadas no programa) que levaram gente da mais variada importância ao 'show' de Araújo Pereira, na TVI.

A ida de Marcelo ao 'Alta Definição', magazine de sábado à tarde, na SIC, foi mais um passo neste percurso. Marcelo procurava recolocar-se no centro da agenda, depois das eleições, e o que tinha para dizer acabou por ter menos importância que o simples facto de ter ido a um magazine. O programa não foi o mais visto, nem sequer bateu recordes.

Noutros tempos, Marcelo levaria o seu jornal à liderança. Neste jogo não há inocentes – se os políticos deixarem de dar audiência, da mesma forma que monopolizaram horários, assim desaparecerão sem deixar rasto, remetidos à comunicação de nicho. Depois vertam lágrimas de crocodilo pela abstenção!

MAIS UMA TENTATIVA ÀS 7
Com 'Ver P’ra Crer', a TVI volta a falhar às 19 horas. O concurso tem tal falta de ritmo que nem parece real. Procura distinguir-se pelo princípio de se ver tudo. Ora, isso é antitelevisivo. A melhor televisão é sugestão, é linguagem conotativa, não é linguagem denotativa. O apresentador, frágil, apenas agrava o falhanço.       

RTP É SANEAMENTO
Depois do silenciamento ostensivo do jornalista Vítor Gonçalves, cuja participação nos debates, entrevistas, campanha e noite eleitoral foi reduzida a nada por ordem da direção de Flor Pedroso, agora é com Sandra Felgueiras que se agrava, também, a tensão. Começa a dar ideia de que a informação da RTP vive dias de brasa, saneando os espíritos mais livres.  

DUELO SIC-RTP AO DOMINGO
Entrada vertiginosa dos segundos 'Casados à Primeira Vista', na SIC, com mais de 1,3 milhões de espectadores. Sinal dos tempos – a mais forte concorrência vem do 'The Voice', na RTP1, mesmo assim a larga distância, com 860 mil espectadores. Em último fica o formato de domingo da TVI, com apenas 620 mil espectadores. As coisas equilibram porque a SIC recorre, logo a seguir, ao programa de Raminhos, 'Esta Mensagem É Para Ti', formato de exceção mas com as debilidades que aqui assinalámos quando ganhava, debilidades essas que se confirmaram – em poucos minutos é ultrapassado pela RTP, e depois também pelo Masterchef. É uma pena um programa com tal originalidade perder-se devido a um apresentador como Raminhos.

NOVIDADES SEM RESULTADOS
'Luz Vermelha' e 'Sul' são duas séries da nova geração, na RTP1. Longe do autismo incongruente dos formatos da anterior direção de Programas, o canal 1 escolhe agora temas polémicos e atuais para as suas ficções. Mas alguma coisa falha, e merecerá análise em breve, quando a série inspirada nas Mães de Bragança estreia com 8% de share pouco tempo depois de um jogo da seleção, em que o canal 1 até ganhou o dia.

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