Carlos Rodrigues
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Meia noite para Bruno

RTP deixou-se usar para vergonhosa limpeza de imagem. Apenas duas semanas antes de ser detido no âmbito do processo de Alcochete, indiciado por 56 crimes, o antigo presidente do Sporting esteve no '5 para a Meia-Noite'.
16 de novembro de 2018 às 12:13
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Meia noite para Bruno
Um dos fenómenos mais intrigantes do reinado de Bruno de Carvalho é a forma como pessoas inteligentes, ligadas ao clube mas não só, foram enganadas ou deixaram-se enganar pela personagem, muitas até ao fim, outras até mais além. Na verdade, outras até muito para lá do fim de uma gestão criminosa.

Basta recordar que há apenas duas semanas a televisão do Estado se disponibilizou para uma vergonhosa operação de limpeza da imagem do antigo presidente do Sporting, no programa '5 para a Meia-Noite', numa altura em que se acumulavam, e já tinham sido noticiados, os indícios do envolvimento de Bruno de Carvalho nos gravíssimos eventos de Alcochete.

Trata-se de uma profunda cicatriz de credibilidade que ficará no património da RTP1, cicatriz essa que foi aberta por um programa de entretenimento que usurpa a designação de serviço público. Bruno de Carvalho contou anedotas, fez de conta que é DJ, atacou sem freio nem direcção as pessoas do futebol, comparou a indústria com a série 'Walking Dead', tudo com a complacência, embasbacada e sem perguntas, de duas apresentadoras comprometidas.

Desta forma, a RTP foi transformada numa espécie de rede social em que  tudo tem cabimento, sem mediação. Agora, a justiça tomou conta do problema. Há fortes indícios de que Bruno de Carvalho mandou espancar, ofender e humilhar os profissionais da empresa que dirigia, a SAD do Sporting. As cumplicidades de gente responsável com um projecto de poder que incluía violência fascizante devem ser alvo de um balanço sério e isento. A bem da sanidade mental do País.

EMERGÊNCIA EM DIRETO
Domingo, o País ficou suspenso durante largos minutos com a notícia de que um avião comercial descontrolado e sem comandos sobrevoava Portugal, e que ameaçava aterrar de emergência, ou pior. Parecia a guerra dos mundos, mas real. A televisão funcionou como verdadeiro elo que uniu o País ao fio da vida.

A DIRECÇÃO DA RTP
Flor Pedroso tenta reforçar o aval jornalístico para a sua direcção, através das contratações feitas fora da empresa, como a de Cândida Pinto. Há, porém, escolhas de risco, que podem reforçar o elo do Telejornal com os centros de decisão política. Problema: trazer e pagar estrelas da concorrência incendiou a empresa e a redacção. Para acompanhar com atenção, diariamente.

"PORQUE NÃO TE CALAS?"
Rui Rio, presidente do PSD, teve o seu momento "porque não te calas?" ao responder em alemão às perguntas do jornalista João Ferreira. As perguntas procuravam indagar a reacção do líder do partido ao caso do deputado que mandou assinalar presença no parlamento, mesmo em dias em que faltou. Ao desconversar em alemão, Rui Rio queria desvalorizar o tema, mas acabou por valorizá-lo ainda mais. Pior: teve azar, porque levou resposta, também em alemão. Há dias em que mais vale estar calado.

JUSTIÇA POPULAR
Eis um caso curioso: a vetusta SIC Notícias colocou uma decisão judicial a televoto. No programa 'Dia Seguinte', os espectadores foram desafiados a pensar e a decidir como juízes, ao serem confrontados com a pergunta "Bruno de Carvalho deve ficar em prisão preventiva?" Trata-se de um marco simbólico para a televisão, com a justiça mediática e popular a funcionar na sua forma mais directa. Resultado? Preventiva!


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