Carlos Rodrigues
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O fogo ao pescoço

As golas inflamáveis ameaçam “queimar” o governo. Desprezo pelo interior, falta de verificação da eficácia do Estado, negócios em família, compadrio: o mais recente escândalo no combate aos fogos tem todos os ingredientes para ficar no anedotário nacional.
02 de agosto de 2019 às 07:00
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O fogo ao pescoço
Foto: Cofina Media
A história das golas e dos coletes inflamáveis vai ficar no anedotário nacional, e é uma espécie de metáfora destes últimos anos de governação. Tem tudo!

Há a malfadada prioridade à imagem, porque as golas não tinham uma utilidade real. Há negócios em família, porque há um marido de uma autarca do PS, mais o seu irmão. Há desprezo pelo interior, porque foi tudo entregue e depois nunca mais ninguém lá voltou para verificar, e indiferença perante a avaliação real das políticas emanadas a partir de Lisboa. Há, finalmente, ataques aos jornalistas, um bode expiatório (neste caso, o padeiro), e políticos que fogem às responsabilidades, resistindo para lá do razoável a saírem de cena. E o pior nesta "novela" nem é o ridículo da situação, apesar de, como diz o povo, o ridículo matar. O pior é a mentalidade que está na origem desta trapalhada. Uma mentalidade de simulacro, de propaganda, onde as golas não eram para usar, mas sim para "sensibilizar".

Junte-se a isto um preço disparatado, pago pela Proteção Civil à empresa do marido da autarca do PS, que por sua vez comprou à fábrica do seu irmão, e temos uma espécie de condensado do Portugal dos últimos quatro anos. Se fosse uma piada para chatear o Governo dificilmente seria mais certeira. Imaginemos o humorista: "Está numa aldeia perdida e abandonada e vê o fogo a aproximar-se? Não fuja, ponha esta gola inflamável e verá que o perigo fica mais perto, bem à volta do pescoço." Às vezes, este país dá vontade de rir. Outras vezes, é muito pior. Dá vontade de chorar.

A SIC NOTÍCIAS CORRIGIU
A SIC Notícias corrigiu, nos últimos dias, a trajetória que, objetivamente, estava a ajudar a TVI24. Os alertas funcionaram, no respeito pelos telespectadores. O mês fecha com o canal de notícias da SIC em segundo lugar, que é o seu há mais de dois anos e meio, muito atrás da CMTV, é certo, mas bem à frente da TVI24.

E A INFORMAÇÂO?
Em julho ainda não se pode falar de momento zero da nova gestão da TVI. Uma vez arrumada a programação, é preciso dar tempo à nova equipa, apesar de tempo ser precisamente o que mais escasseia, na empresa. Na informação, a área do canal onde a crise é mais profunda e mais duradoura, tardam os sinais de que se quer melhorar. Preocupante.

GOLPE DE SORTE
O êxito que a SIC teve com o novo parceiro da ficção só poderá ser avaliado na totalidade quando for para o ar o próximo produto. 'Golpe de Sorte' pode ter beneficiado da conjugação extraordinária dos astros, ao aparecer numa altura em que tudo, na SIC, estava a subir. Terá esta série ido na revoada que arrancou tudo pela raiz, em Queluz de Baixo, ou será que nasceu uma nova fábrica de ficção para ganhar? As próximas narrativas tirarão as dúvidas. Fica, para já, registo de um extraordinário argumento de Vera Sacramento, que fez, de facto, a diferença.

MENDES, O POLIVALENTE
Espetáculo grandioso, em Barcelos, para receber 'O Preço Certo' especial, domingo à noite. A RTP1 foi competitiva, mesmo contra os agricultores da SIC e as canções de imitação na TVI. Fernando Mendes dá provas de qualidade em todos os terrenos. Transformou-se num apresentador completo. Agora, vem aí, de novo, Cristina Ferreira para o seu horário. Suspeito que o ex-gordo voltará a sobreviver...

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