Carlos Rodrigues
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O marketing do boato

Pegar em mitos, falsidades ou fantasias e verificar a respetiva veracidade é uma rubrica que ficaria melhor no entretenimento do canal de Paço de Arcos.
31 de maio de 2019 às 08:00
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O marketing do boato

Chama-se polígrafo e é uma rubrica regular do jornal da noite da SIC. Um dos objetivos centrais é verificar se determinados boatos, mitos ou ideias feitas têm, ou não, alguma base de verdade. O dispositivo é sempre o mesmo. Informa-se o auditório de que existe o tal mito ou boato, mostra-se e detalha-se essa informação, tal e qual supostamente ela "corre por aí" ( seja o "aí" a internet, a vox populi ou outro meio qualquer), e depois procura-se demonstrar se é ou não real. Exemplos? Soares pisou ou não a bandeira nacional? Cavaco foi ou não "bufo" da PIDE? No final de cada bloco, aparece então o veredicto, através de um gráfico, indicando se se trata de uma verdade, de uma falsidade, ou de algo que fica numa zona cinzenta, entre verdade e mentira. Já agora, nos casos referidos, o veredicto é negativo.

No polígrafo da SIC também há variações, como a verificação de declarações de personalidades públicas, ou as contradições em que essas personalidades muitas vezes caem ao longo do tempo. Fazer a verificação da verdade das palavras, atos ou estatísticas é uma obrigação jornalística, e sistematizá-la num programa até poderia ser boa ideia. O problema é quando fica no ar a ideia de que uma rubrica como esta mais não é do que um pretexto para emitir e esmiuçar boatos e fantasias, sob a capa das mais nobres intenções, mas com o único fito de atrair mais público, neste caso para o Jornal da Noite da SIC. Ou seja, pode ser uma excelente ideia para o entretenimento, um golpe de marketing audacioso, mas integrá-lo num jornal configura um truque de categoria duvidosa.

É, aliás, sintomático que a SIC tenha escolhido o polígrafo para a parte final do jornal no dia em que, logo a seguir, estreou a nova novela de horário nobre. Trata-se do reconhecimento de que a natureza dos dois produtos encaixa como uma luva, o que não é propriamente um elogio para o principal jornal da SIC. Eis a síntese do polígrafo: se é para validar factos, isso chama-se jornalismo. Se é para emitir teorias do incrível, faça-se entretenimento. Num canal clássico como a SIC, não há outra forma. Ou seja: o polígrafo é um passo em falso da informação da SIC.
 

Manuela silenciada
É algo bizarro que a grande aposta da SIC para o comentário tenha sido esquecida, quer na noite eleitoral, quer no dia a seguir, segunda-feira, precisamente o dia de Manuela Moura Guedes. No seu horário apareceu o primeiro-ministro, António Costa. Algo se passa. Estará a SIC a desistir da procuradora? 

Boa realização
Talvez escaldados pelas péssimas realizações televisivas, habituais entre nós, os organizadores da final da Taça terão acautelado a qualidade da transmissão, e o Sporting-FC Porto, além de ter dado um prémio grande à RTP, com prolongamento e penáltis, foi, provavelmente, o jogo com melhor tratamento televisivo entre nós em toda a época.

A vitória de RAP
Ricardo Araújo Pereira é o grande vencedor televisivo das eleições europeias. A TVI não teve sondagem nem projeção, teve um grafismo medonho, teve comentadores institucionais que não cativaram um espectador a mais, teve um cenário deslavado. Mas teve a rubrica de Araújo Pereira, alinhada estrategicamente para os momentos mortos da contagem dos votos. Resultado: a TVI derrotou a SIC na noite eleitoral, algo que muito gozo deve dar aos seus responsáveis, que assim ganham algum alento nesta fase tão difícil para a empresa.  

Golpe de sorte
A SIC estreou uma nova novela, apelidada de série, para cativar os espectadores, feita, desta vez, pela Coral, em vez do parceiro preferencial, a SP. O arrastão de audiências da SIC acabará por levar, também, a ficção nacional para a liderança. Veremos se um conjunto de ideias simples, postas em prática nesta nova novela, apressam, ou não,  essa chegada da SIC à liderança no horário nobre. Para já, bom começo.

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