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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

Notícia

O ruído de Raminhos

O programa da SIC no domingo à noite é uma experiência totalmente diferente para o espectador português. O ponto fraco é o apresentador, que brinca com o seu próprio conteúdo, menorizando o projeto.
31 de agosto de 2019 às 13:03
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antonio raminhos

'Esta Mensagem É Para Ti' é um acontecimento na televisão portuguesa. Trata-se de um original belga, país onde já vai na segunda edição na antena da VTM, o segundo canal mais visto na comunidade flamenga.

Esta Mensagem... ganhou um Emmy para melhor programa de entretenimento. Desde que estreou, em 2017, já foi exportado para oito países, incluindo Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha. Trata-se de um programa totalmente diferente de tudo o que o espectador português está habituado a ver. A ideia básica é transmitir a alguém uma mensagem, de uma forma que fique na memória – quer do recetor, quer do espectador.

A mensagem pode ser de carácter pessoal, ou de âmbito social e cívico – já tivemos declarações de amizade, agradecimento ou admiração por alguém, mas também já tivemos crítica ao estacionamento em segunda fila, por exemplo. A produção é boa, os guiões, interessantes, os casos têm funcionado: um recém-enamorado que deixou de sair com os amigos dá origem a uma intervenção policial simulada para o resgatar do "sequestro por amor"; um atleta paralímpico grato a uma professora que o ajuda, e a quem é organizada uma serenata que a emociona, num café.

O programa  podia ser delicioso. Contudo, tem um ponto fraco: o apresentador. Raminhos leva muito pouco a sério o formato, desconstrói o conteúdo e parodia as mensagem. Ora, a televisão é assunto sério, e os apresentadores não podem desconstruir o conteúdo. É uma pena. O programa desceu da primeira para a segunda semana, e agora vai enfrentar concorrência mais forte, com o MasterChef, na TVI. Ficaremos com um exemplo lapidar de como um mau casting, uma escolha errada de apresentador, pode diminuir o valor de um projeto e deitar tudo a perder, sem remédio.             

Audiências de agosto

A TVI mantém o segundo lugar, superiorizando-se à RTP1 por menos de 10 mil espectadores na média mensal. É assim que vai fechar o verão mais bizarro da televisão portuguesa. A SIC mantém a liderança pelo 7º mês consecutivo, mas faz o resultado mais baixo do ano, abaixo até do valor que obtinha quando perdia. 

"À inglesa, sff"

Clássico com realização absurda. Os espectadores perderam lances capitais porque foram brindados com repetições inúteis de lances banais. É tempo para, também na televisão, o futebol português pedir realizações "à inglesa", como agora está na moda pedir na arbitragem. Pela segunda vez na BTV, os adeptos adversários foram praticamente ignorados. 

Ronaldo

Ao longo da carreira, foram raras as entrevistas de CR7.  Na TVI, ficou célebre uma conversa entre o jogador e Judite de Sousa, numa fase dolorosa da vida da jornalista. Agora, a perda de poder simbólico da TVI contaminou a estrela de dimensão planetária. Ronaldo não merecia o que a TVI fez com ele: enviou dois elementos do desporto para o entrevistar, acantonando-o no futebol; espartilhou a emissão por vários dias, sem qualquer razão que o justificasse a não ser o desespero da estação; em suma, reduziu o impacto de uma entrevista que devia ter marcado o ano, mas que não vai deixar rasto.

'I love portugal'

Está a fazer um percurso muito interessante o formato na RTP que junta Vasco Palmeirim e Filomena Cautela. Superioriza-se, até, à TVI, num movimento que, não sendo inédito, ajuda a estação do Estado a dar luta ao canal de Queluz de Baixo. O formato é, também ele, muito eficaz, como o programa que concorre, na SIC, numa prova de que, diga-se o que se disser, faz-se muito boa televisão em Portugal, apesar da crise.

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