Carlos Rodrigues
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O sorriso de Costa

Em política, muitas vezes a imagem é tudo, e, por isso, a televisão pode ser cruel. A forma como o chefe do Governo comentou a tragédia dos incêndios é um desses casos.  
27 de outubro de 2017 às 11:22
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O sorriso de Costa

"Não me faça rir a esta hora." A frase foi dita pelo primeiro-ministro, quando começava a ser claro que a tragédia de Pedrógão tinha tido uma espécie de repetição, em Oliveira do Bairro e um pouco por todo o centro do País. O número de mortos estava longe de ser apurado, mas a postura do chefe do Governo perante os primeiros dados marcou a madrugada.

Não está em causa a sensibilidade humana de Costa. O problema é que, em política, a imagem é tudo. Quando Costa pediu desculpas aos portugueses, no parlamento ("se quer que eu peça desculpas, eu peço desculpas", disse ele), era tarde demais para apagar a primeira impressão. Uma semana depois, os ministros desfilaram, ao longo do dia de sábado, numa espécie de rally paper de milhões lançados sobre os fogos.

Tudo culminou no grande final, protagonizado por Costa, ao serão. O primeiro-ministro ensaiou um acto de contrição, admitiu ter errado, e disse que preferia que pudessem acusá-lo de ter "abusado das suas emoções", em vez de lhe apontarem o dedo por "as ter contido".

Além de ser confusa, há outro problema com esta mensagem: foi acompanhada do sorriso que se vê na imagem pequena que ilustra o texto. É o tipo de sorriso que, em determinadas circunstâncias, pode marcar uma carreira política. Há momentos em que a televisão é cruel, ao mostrar, parafraseando Eça de Queiroz, a nudez crua da realidade por trás do manto diáfano da fantasia do discurso político.

SIC sem sinal de Marcelo

Terça, Marcelo falou no intervalo do futebol, em directo de Oliveira do Hospital. Até se compreende que a SIC possa ficar sem sinal, atendendo às dificuldades de comunicação. Grave é não ter uma alternativa, para o caso de o pior acontecer. E assim, onde devia estar o Presidente, a SIC tinha esta imagem. 

Oásis à sexta à noite

A RTP2 caprichou nas últimas três semanas. Um ciclo com as obras-primas de Serguei Eisenstein, cineasta soviético, com filmes fundamentais como Alexandre Nevsky, Outubro e Ivan, o Terrível, todos emitidos à sexta-feira – hoje passa a segunda parte do Ivan, a não perder. Sempre considerei que os clássicos do cinema mundial seriam uma boa forma de a RTP2 cumprir a sua missão. Desfrutemos! 

Abraços e tragédias

Marcelo voltou a abraçar, quatro meses depois, a ex-Ministra da Administração Interna. Foi na tomada de posse do sucessor de Constança, Sábado. Desta vez, o Presidente terá respirado de alívio. Em Pedrógão, na noite da tragédia e dos 65 mortos, o abraço entre os dois tinha indignado o País. Só com uma imagem, semelhante na aparência, mas de carga emocional invertida, Marcelo conseguiria redimir-se do choque que causou com a atitude de confortar a responsável máxima pelo falhanço da Protecção Civil enquanto tudo ainda se desenrolava.

 TVI em queda no cabo

A TVI24 está em queda, sobretudo desde a acusação a Sócrates. Perdeu o elo com o público, que, em Portugal, é televisivamente muito culto. Não perdoa censuras. A isso, junta-se a fragilidade da estrutura. Mais grave que uma jornalista não se aperceber  que o Primeiro-Ministro está na tomada de posse é a régie não corrigir a falha, e ainda contribuir para a agravar, em rodapé.

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