Carlos Rodrigues
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Os pesadelos da TV

As séries da RTP, os reality shows da TVI e os formatos da SIC ao domingo são os principais flops do ano, na área do entretenimento e ficção. Segunda parte do balanço de 2017 na televisão portuguesa.
08 de dezembro de 2017 às 07:53
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Os pesadelos da TV

A inesperada força da RTP nos grandes formatos de domingo à noite, a falência da estratégia da TVI para os reality shows, a crise da SIC nas 7 da tarde e o furacão--Stanisic foram os principais acontecimentos do ano na área do entretenimento. Com o Pesadelo do chef Ljubomir, a televisão generalista voltou a juntar multidões. Só que, com o mesmo estrondo com que entrou no ar, o programa desapareceu, deixando a TVI desprotegida numa faixa que dominou durante anos. A interrupção humilhante do Biggest Deal marcou o pico dessa crise, que só não foi mais grave por manifesta incapacidade da SIC.

Já a competitividade da RTP neste horário deve-se à adaptação competente de grandes formatos internacionais, como The Voice ou Got Talent.

Bem diferente é a área da ficção. O canal do Estado esbanjou dinheiro em séries curtas, sem qualquer sucesso. Pelo contrário. Atingiram patamares mínimos de credibilidade: Ministério do Tempo foi interrompido com salários em atraso; A Criação é uma vergonha para qualquer canal público internacional.

Apanha se Puderes, o concurso que chegou a ser oferecido à SIC, fez das 7 da tarde a grande conquista da TVI em 2017, à custa do Gordo e do canal 1. O "buraco" da SIC neste horário atingiu patamares ridículos, bem abaixo dos 10%, e terá sequelas duradouras.   Carnaxide fraquejou também na ficção: as novelas de Queluz fecham o ano muito à frente da concorrência, e vão continuar.

Para a semana, faremos o balanço do ano na informação dos canais generalistas. 

As imagens podem mentir
O caso do frame fantasma, cujo apagamento alterou a percepção da realidade, contém uma lição fundamental para a sociedade democrática. Como a própria História demonstra, as imagens são facilmente manipuladas, pelo que, quando implicam a vida colectiva, devem ser alvo de uma enorme atenção crítica. 

Homenagem
O País conhecia-o como o "Zé-Pedro-dos-Xutos", um substantivo composto que simboliza a fusão do nome do músico com o nome da sua criação. Eis a prova de que as duas realidades eram uma só. Numa altura em que as homenagens salientam,  sobretudo, o talento e as qualidades humanas de Zé Pedro, ficam votos de longa vida para o seu principal legado, os Xutos.


O próximo erro da SIC
Juntos à Tarde, de João Baião e Rita Ferro Rodrigues, vai acabar. Altos quadros da SIC relatam-me, em choque, que a novidade foi revelada pelo líder da produtora, num mail interno, numa altura em que departamentos fundamentais da estação não sabiam de nada. O estado a que chegou a empresa!

Quando Andreia Rodrigues foi afastada, alertei, aqui, que mudar os rostos da tarde, e manter tudo igual, de nada serviria. Chamei-lhe "o próximo erro da SIC". A estação reconhece-o, agora, mas, pelos vistos, vai reincidir, com nova mudança de pelo menos um dos apresentadores, e pouco mais. 

A televisão dos militares
Documentário notável, em 3 episódios, de Jacinto Godinho, que mostra a História da RTP entre o 25 de Abril e a normalização constitucional. Deliciosas as imagens de bastidores que registam a reacção em estúdio do capitão revolucionário Duran Clemente, no  25 de Novembro, quando se apercebe que já não está no ar, porque a emissão tinha passado definitivamente para o Porto. A democracia triunfara.

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