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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Grelha da Semana

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SIC mais líder

A SIC fecha abril a dominar o mercado. Vai alcançar o melhor registo do ano, com 20% de share. Já a TVI volta a descer, para níveis equivalentes aos de janeiro. O fosso entre os dois canais está a aumentar. Nem o concurso de domingo à noite, nem as tardes de Goucha, nem as manhãs de Cláudio logram puxar a TVI para cima.
30 de abril de 2021 às 18:09
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Daniel Oliveira

A SIC fecha abril a dominar o mercado. Vai alcançar o melhor registo do ano, com 20% de share. Já a TVI volta a descer, para níveis equivalentes aos de janeiro. O fosso entre os dois canais está a aumentar. Nem o concurso de domingo à noite, nem as tardes de Goucha, nem as manhãs de Cláudio logram puxar a TVI para cima. A distribuição nacional do público mostra que a SIC lidera em todas as regiões, até na grande Lisboa, onde chegou a perder em tempos recentes para a TVI. A grande Lisboa é a região do País onde o equilíbrio é maior.

Há pouco mais de um ponto percentual a separar os maiores generalistas. Já a RTP1 fechará abril com 11% de share. Mantém níveis muito baixos de audiência. A crise da TV do Estado é transversal. Em abril, a RTP2 terá mero 1%.  Mesmo assim, o Canal 1 tem no sul o melhor desempenho, ultrapassa a TVI e atinge um inédito segundo lugar, a pouco mais de dois pontos da SIC.

Se na segmentação por regiões o domínio da SIC é total, os programas preferidos em cada canal traçam um interessante perfil dos projetos. No canal 1, a liderança é invariavelmente do Telejornal e do Preço Certo. Sem surpresa. Na SIC, Araújo Pereira, novela e o chef Ljubomir são os formatos líderes. Curioso é o afastamento da informação dos tops da SIC. Já na TVI, os programas de maior sucesso são a novela Bem Me Quer e o concurso de Cristina Ferreira, All Together Now. A novela Bem Me Quer, aliás, é uma autêntica lança em África, porque é o único formato que aparece no top-15 semanal e que não é da SIC. Quando se fala em crise da ficção da TVI, é bom ter algum cuidado.

 

INFORMAÇÃO - 25 DE ABRIL

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25 de abril

Canções de intervenção, na SIC, sábado passado. Um trabalho da jornalista Catarina Neves, baseado nos testemunhos e nos improvisos de músicos e artistas que permanecem no imaginário de todos os que têm mais de 45 anos – Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Francisco Fanhais, Carlos Mendes, Barata Moura, José Jorge Letria, entre muitos outros. Não podia ser mais indicada, a data de 24 de abril, para uma reportagem deste género. Bem concebida, bem editada, a tornear muito bem a dificuldade autoimposta de não fazer texto e usar as declarações dos entrevistados para fazer avançar a narrativa. Nota máxima para o serviço público prestado pelo Jornal da Noite, visto que a memória da metade dos portugueses que nasceram depois da revolução já não reconhece muitos destes nomes.

 

ENTRETENIMENTO - GENTE FELIZ COM MÁSCARA

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Gente feliz com máscara Foto: Getty Images

Nalgumas transmissões de desporto, nomeadamente de ténis, já tínhamos visto bancadas com público em vários pontos do globo. Agora, na final da Taça da Liga inglesa, Manchester City - Tottenham, o estádio de Wembley, em Londres, voltou receber adeptos. Para já são apenas 10%, 8 mil pessoas, mas deu para termos um lampejo de como era o futebol no passado, e de como voltará a ser no futuro. O realizador da transmissão precisou de tempo para se soltar, porque no início até mostrou alguma vergonha de exibir os espetadores que vibravam ao vivo. Quando ultrapassou o trauma, pudemos ver sobretudo gente feliz com máscara. E deu gosto ver. Se a Covid nos trouxe um mundo novo, o fim da Covid trará outro, ainda mais diferenciado, e que para já não conseguimos adivinhar.

 

SOBE - ALEKSANDER CEFERIN 

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Aleksander Ceferin Foto: Getty Images

Vai o presidente da UEFA corporizar esta espécie de triunfo do povo sobre a ideia de transformar o futebol num espetáculo americano só para ricos, com uma liga fechada ao mérito. Chegou a ser comovente ver como os fãs do jogo saíram à rua, em Inglaterra, em defesa do que inventaram há séculos. Ninguém tinha maior autoridade para o fazer.

DESCE - CARLA MOITA

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Carla Moita Foto: TVI

No dia em que há buscas da Polícia Judiciária na Câmara de Lisboa, quem desdenharia ter o presidente da autarquia, Fernando Medina, em estúdio? Parece um autêntico jackpot? Parece, mas não é. A pivô da TVI esclarece, antes mesmo de começar o comentário semanal, que "escolhemos deixar" esse tema de fora. Importa-se de repetir? Ninguém percebeu a tempo que isso simplesmente não podia acontecer?

DESCE - ANTÓNIO JOSÉ TEIXEIRA  

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António José Teixeira Foto: RTP

A irrelevância progressiva da RTP contamina também a informação. Domingo, o Telejornal do canal 1 registou uns inimagináveis 8,5% de share. Pessoalmente não tenho memória de outro registo assim. Fazer do noticiário da televisão do Estado um desfile permanente de ministros acabaria por dar nisto. E só pode piorar.

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