Carlos Rodrigues
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Um mercado sem líder 

A RTP1 fechou 2018 a crescer, a SIC terminou como começou e a TVI deu um tombo gigantesco. O ano novo arranca sem um líder claro de mercado, uma situação inédita em mais de uma década.
04 de janeiro de 2019 às 11:22
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Um mercado sem líder 

A medição de audiências tem uma virtude tremenda para o espectador. Através da frieza dos resultados, todas as empresas podem fazer balanços a todo o momento, melhorar o que está mal e apostar no que está bem. A televisão é uma das atividades mais escrutinadas no mundo, e quase em tempo real. Alguns dados de 2018 serão surpreendentes, mas a generalidade das medições confirma indícios, sensações e desconfianças que vamos todos tendo, dia a dia, como espectadores casuais.

Vejamos, por exemplo, o caso da RTP1. Fecha dezembro com o segundo melhor resultado do ano, atrás apenas do obtido em junho, mês do Mundial de futebol. Estamos a falar do ano em que se gastaram fortunas na ficção nacional e em que se fez a Eurovisão em Lisboa. Não obstante, é em dezembro que o canal 1 tem um dos melhores desempenhos anuais, com 13,1% de share médio, uma subida de 10% em relação a janeiro  do mesmo ano.

É uma evidência fria e matemática da falta de qualidade da anterior liderança de conteúdos da empresa. É também significativo que a SIC feche dezembro com os mesmos 17,3% de share que tinha em janeiro. Ou seja, muito do que se passou no meio representa tempo perdido, mas o final do ano traz uma lufada de otimismo. Isto porque a TVI desceu de 21,2%, em janeiro, para 18,5% em dezembro. Uma queda superior a 10%. E 2019 começa com a clara sensação de que deixou de haver um líder evidente no mercado televisivo.

Cá estaremos, ao longo de 2019, para dar conta de como evolui este campeonato, que está ao rubro.

O novo Goucha
Eis a prova de como a concorrência faz bem. Dia 2 de janeiro, o novo programa da manhã da TVI mostrou vitalidade, uma apresentadora que vai crescer, Maria Cerqueira Gomes, novas rubricas, mais exteriores e um cenário magnífico. Se dúvidas houvesse, fica a prova de que não vai ser fácil ganhar ao Goucha.   

Menos de 1 milhão
Se, na análise canal a canal, a TVI de Rosa Cullel é a grande derrotada do ano, há outro detalhe relevante nas audiências de 2018. Em dezembro, o total de pessoas que assiste, em permanência, ao conjunto dos canais clássicos, RTP1, SIC e TVI, fica abaixo da fasquia do milhão de espectadores. Sinal dos tempos. A vida está difícil para a TV clássica entre nós. 


Futebol domina o top
Dos 20 programas mais vistos do ano, 19 são jogos de futebol. A outra emissão que aparece no top é o Telejornal do dia 25 de junho, ou seja, o noticiário que aproveitou o arrasto do Portugal-Irão, que liderou a tabela anual. No top-10, há 5 jogos da seleção nacional, 4 transmissões do Benfica, na Liga dos Campeões ou no respetivo acesso, e um do Sporting, na Liga Europa, o famoso Sporting-Atlético de Madrid que mudou a vida e a presidência do clube. Os jogos de futebol em direto são as verdadeiras celebrações coletivas da televisão.   

Ano de ouro no cabo
Não é certo que a medição de audiências registe a verdadeira dimensão do consumo de cabo, e de outras formas de ver televisão em Portugal. A pressão das estações clássicas dificulta a vida a quem quer fazer o seu trabalho de forma honesta e rigorosa, na audimetria. Mesmo assim, mais um ano de ouro para o cabo, universo onde há um líder claro, a CMTV, que tem oferta diversificada e que vai continuar a crescer, ano após ano.

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