Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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Uma rede no jornal da SIC

Uma série de três grandes reportagens de boa qualidade agarrou os espectadores e deu uma lufada de ar fresco ao 'Jornal da Noite', que conseguiu ganhar três dias seguidos
08 de fevereiro de 2019 às 08:00
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Uma rede no jornal da SIC

'A Rede' é um conjunto de três reportagens alargadas, emitidas em três dias consecutivos no 'Jornal da Noite', da SIC. A organização de uma grande reportagem em episódios é um dispositivo raro, mas eficaz, que demonstra confiança no trabalho em causa. A emissão em episódios é, também, sintoma de uma mentalidade desempoeirada, porque adapta à informação alguns truques da ficção, como o recurso ao suspense para agarrar os espectadores.

Ora, isto não é habitual na SIC, pelo que constitui novidade relevante, e veremos se frutifica. O tema da reportagem é um embuste criado nas redes sociais, que envolveu pessoas desconhecidas numa torrente de emoções que acabou por ter consequências dramáticas para a sanidade mental de quem foi apanhado. Os três episódios desenvolveram-se num crescendo rumo à descodificação do criminoso, ou seja, de quem inventou pessoas, relações e sentimentos e as envolveu numa rede falsa com vítimas verdadeiras.

A surpresa final, ao descobrir-se que a culpada era uma professora absolutamente normal, é um desenlace de enorme qualidade. Muitas vezes, o problema das reportagens grandes, também designadas por grandes reportagens, é um certo deslumbramento do jornalista consigo próprio, que faz prevalecer a linguagem adjetivada sobre a própria realidade. No caso de [Conceição] Lino, a narrativa é escorreita, a linguagem depurada e há um respeito absoluto pelos factos. Resultado: deu gosto ver, e o jornal da SIC liderou nos três dias em que 'A Rede' nos enleou a todos na sua narrativa de qualidade.

EM DEFESA DE MARIA
Quando Goucha troca o nome de Cerqueira Gomes e a trata por "Cristina", isso é mais do que um ato falhado. É sintoma do que aí vem, mais tarde ou mais cedo. Antes que Maria Cerqueira Gomes seja culpabilizada pelo flop das manhãs, fica já aqui dito: ela é a menos culpada pelo falhanço do 'Você na TV!'. 

VIDEOÁRBITRO
Extraordinário espetáculo de televisão, o Sporting-Benfica de domingo passado. O videoárbitro está quase no ponto, com a ótima solução encontrada que permite ao espectador acompanhar as imagens que esclarecem as dúvidas, ao mesmo tempo que o árbitro de campo. Uma ressalva: para a TV, o facto de os jogos serem à tarde empobrece o espetáculo. 

GENTE QUE NÃO SABE ESTAR
Há um caso de amor entre o país e Ricardo Araújo Pereira. Esse caso de amor tem agora uma nova manifestação. Desde o primeiro episódio, Araújo Pereira lidera e puxa o resultado do jornal da TVI para cima. As ideias geniais, como a de medir o atraso da Justiça pelo ritmo do cante alentejano ao longo do primeiro alinhamento, enchem a televisão de inteligência. A rubrica ocupa o espaço que já foi do comentador Marcelo, pelo que é arriscado prever qual a evolução que vai ter o "gente que não sabe estar". 

TENSÃO NA RTP
A nova direção de Informação tarda a dar sinais de melhoria. O 'Telejornal' não faz a diferença, a RTP3 aproxima-se do padrão "BolaTV". Esta semana houve plenário explosivo. Flor Pedroso diz que aceitou o desafio, não por um imperativo jornalístico, mas porque "estava cá o Tó Zé Teixeira", indispondo os outros elementos da sua equipa. Não há segunda oportunidade para causar uma boa primeira impressão!

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... a TVI, que consegue ganhar janeiro e mantém a liderança desde julho de 2006. A SIC falha o assalto ao primeiro lugar e descobre que é agora uma estação a duas velocidades: há a SIC de Cristina e há a outra..
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