Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu amor

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Vamos todos a Paris  

Ao fim de poucas semanas de violência, o presidente de França fez uma comunicação ao país, pela televisão, que constitui um exemplo perfeito de como um político não deve gerir uma crise como esta.
19 de dezembro de 2018 às 15:23
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Vamos todos a Paris  

Os últimos sábados têm sido marcados, nas nossas televisões e talvez um pouco em toda a Europa, pelas imagens de violência e destruição incríveis no centro de Paris. O fenómeno dos "coletes amarelos" arrisca-se a entrar na rotina, com o desfile semanal de lojas e restaurantes entaipados, em plenos Campos Elísios.

O coração mais turístico da cidade mais famosa e desejada do mundo é palco da maior acção de reivindicação da História recente, na Europa. Classe média, operários, jovens suburbanos, todos juntos a protestar por um objectivo que não está bem definido, mas que corporiza o mal-estar da Europa. Imagens históricas por natureza, tal como histórica é a comunicação ao país do presidente Macron.

Terça-feira passada, às 8 da noite francesas (hábito, pelos vistos, comum aos políticos dos mais variados quadrantes), o chefe do Estado de França fez aquela que é, provavelmente, a pior comunicação política do ano. Macron ofereceu subidas de salários mínimos, corte nos impostos nos prémios das empresas, prémios esses que pede que sejam pagos aos trabalhadores.

Em suma, uma abdicação total, quando, há apenas duas semanas, o mesmo Macron tinha garantido que nunca cederia perante a violência e a desordem. E o que é mais irónico: com a sua cara de anjo, olho azul e rosto desenhado para a televisão, usou agora, nas cedências, o mesmo tom que tinha usado para fazer voz grossa. O tom em que mostra como é feito de plástico, o mesmo material que compõe a generalidade dos líderes desta Europa em crise. 

Herman renascido
Depois de encontrar na grelha da RTP espaço para o seu renascimento, com o Cá por Casa, Herman José, sempre que é chamado, prova que pode reforçar a grelha do canal 1. Segunda-feira, mostrou o papel histórico que tem no humor português, no debate do Prós e Contras, em boa hora reabilitado.

Liga clandestina
O tempo passa, e não parece haver luz ao fundo do túnel: afinal, o que se passa para que o canal que emite a Liga dos Campeões não esteja disponível à generalidade dos portugueses com televisão por cabo? Na verdade, a Champions é uma liga quase clandestina em Portugal. E se os portugueses percebem que não precisam de futebol na TV?

Um arraso na pista
A aposta da TVI não podia ser mais forte: estúdio maior, mais público, cenário deslumbrante, uma pista de dança gigantesca, em suma, um dispositivo de encher o olho. Além disso, Rita Pereira estava no lugar de Cristina Ferreira, e abriu o programa a gastar desde logo o trunfo mais forte: é um menino! Com tanto brilho e lantejoulas, ficou ainda mais visível a derrota histórica da TVI. Estreia abaixo do milhão de espectadores, a levar nova "tareia" dos casamentos da SIC, uma noite de domingo como não há memória. É tempo de ligar os alarmes em Queluz de baixo. 

Joana Latino
A jornalista, transformada em comentadora social, envolve-se em polémicas sucessivas, com opiniões desassombradas, umas vezes mais acutilantes e inteligentes do que outras. Construir uma imagem de marca com base na sucessão de polémicas é péssima opção – a identidade televisiva que resulta da combustão rápida é sempre de desgaste instantâneo. Fica o alerta enquanto é tempo de inverter o rumo. 

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