Carlos Rodrigues
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2 políticos, 3 jornalistas

Numa originalidade portuguesa, o duelo entre Costa e Rio teve mais moderadores que candidatos a primeiro-ministro. Resultado: um pequeno caos que em nada ajudou nem os políticos, nem os eleitores.
20 de setembro de 2019 às 18:17
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2 políticos, 3 jornalistas
Foto: Tiago Sousa Dias
Rui Rio pode bem dizer, como o rei Pirro no final de uma batalha que ganhou à custa de inúmeras mortes: "Mais uma vitória como esta e estou perdido." Foi o pensamento que me ocorreu no final do debate que opôs o líder do PSD ao primeiro-ministro, segunda-feira passada, e que Rio venceu com grande margem, para surpresa geral, sobretudo dos seus apoiantes.

A vitória neste debate é uma vitória de Pirro, porque pouco ou nada influenciará o resultado das eleições. Pelo contrário: ao aumentar a impressão de que o PS ainda não ganhou, provocará o "toque a reunir" das hostes socialistas. Os apoiantes de Costa sabem agora que não se devem fiar nas sondagens, e devem correr às urnas. Rio poderá, então, vangloriar-se de um feito duvidoso: ganhou as eleições no PSD após a maior derrota da sua vida em debates, contra Santana Lopes, e perdeu as eleições no País após a maior vitória da sua vida num debate, contra António Costa.

O modelo televisivo não ajudou nenhum dos candidatos, nem o pretendido esclarecimento público: três jornalistas, provenientes de três estações distintas, e com estilos diferentes, a orientarem o mesmo debate, provocaria, previsivelmente, uma dispersão de temas e o tratamento de todas as questões pela rama, porque o formato se sobreporia, em qualquer circunstância, ao conteúdo.

Ou seja, os três jornalistas teriam de falar por igual. Se era previsível a dispersão, no final acabou por acontecer pior. Um pequeno caos, com pouquíssimos momentos de confronto esclarecedor entre quem era o sujeito e o objeto do programa: os candidatos, e não os jornalistas. Poderá concluir-se que, finalmente, estas eleições fizeram história em Portugal: um debate eleitoral decisivo teve mais moderadores que políticos. Uma originalidade!

A PIOR ESTREIA
É oficial – a ficção da TVI está em crise. A entrada em Na Corda Bamba de Lucélia Santos, a brasileira Isaura, coincide com a pior estreia da década. As novelas da TVI foram construídas numa lógica nacional, anti-brasileira. Envolver Lucélia Santos é trair, de alguma forma, os fundamentos do projeto de ficção nacional do canal.

GOUCHA RESISTE
A fragilidade já aqui apontada ao formato da SIC, Esta Mensagem..., que é o apresentador, Raminhos, está a dar uma lufada de esperança ao MasterChef, que, com pequenas mexidas e acréscimo de energia, começou a dar luta no seu horário, e já lidera nalguns blocos. A SIC tem ali um problema que vai ter de resolver rapidamente, sob pena de abrir brecha grave.

TAMBÉM TU, RAP
Voltou o formato de Ricardo Araújo Pereira à TVI. É do melhor que a televisão portuguesa tem, e ajudou a levar os debates eleitorais a mais público. De antologia, o momento de Rui Rio sobre a compra de uma caldeira nova lá para casa. De génio puro, o "tolígrafo", que finalmente caracteriza com propriedade momentos em que jornalistas têm procurado fazer do essencial do seu trabalho uma espécie de marketing da mentira. Problema: no arrastão da TVI, RAP também perdeu na estreia, domingo passado. Uma surpresa. Nada escapa a este vendaval. 

CR7 CHORA PARA O MUNDO
Recorro ao título do 'CM' para descodificar o impacto global da entrevista de Ronaldo a Piers Morgan, da ITV, estação privada britânica. Imagens únicas que dão a Volta ao globo, e que farão parte, seguramente, de todas as biografias que vierem a ser feitas do melhor jogador do mundo nas próximas décadas. Quando as imagens televisivas namoram com a perenidade – eis a qualidade superlativa em televisão.

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