Carlos Rodrigues
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A Gioconda da Madeira

A audição ao comendador Joe Berardo, um dos maiores devedores da Caixa Geral de Depósitos, indignou o País por causa de uma frase (“pessoalmente, não tenho dívidas”) e de um sorriso imoral.
17 de maio de 2019 às 11:21
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A Gioconda da Madeira

Até há poucos anos, Joe Berardo estava sempre na televisão. Empresário, comendador, colecionador de arte, investidor: eram muitas as oportunidades de câmara para este madeirense que agora chocou o País com uma espécie de sorriso de Gioconda endividada, autoproclamado "cidadão sem dívidas pessoais".

Nesse tempo, Berardo aparecia em inaugurações, assembleias de acionistas, entrevistas – na SIC Notícias, por exemplo, houve uma fase em que Berardo fazia uma aparição quase semanal no 'Jornal das 9' para comentar assuntos gerais em despique com Mário Crespo, um jornalista que, aliás, procurava exibir alguma proximidade, tratando-o por José, o que o distinguia de quem estava relegado às distâncias e aos salamaleques do diminutivo "Joe".

Nesse tempo, a economia de casino estava no máximo, mas, como hoje bem sabemos, isso era uma farsa. Entre esse tempo e hoje há uma dívida milionária de distância, há vários anos de crise, cortes de salários e de benefícios para quem trabalha, um Estado à beira da falência, tudo alavancado por aquele tipo de sorriso imoral, e pago por contribuintes esmifrados para taparem buracos criados por "empresários geniais", com o seu séquito de políticos reverenciais.

Entre o sorriso desse tempo e o de hoje há todo um abismo de distância. Mas o sorriso com que, na semana passada, Berardo indignou o País já lá estava há anos nos seus lábios. Felizmente que entretanto lhe caiu a máscara, criada e promovida por todos os que ajudaram a endeusar o mito com pés de barro. Ou de ouro.           

AUDIÊNCIAS DE MAIO
Mais um mês em que a tendência se consolida. A SIC a caminho dos 20%, a TVI em queda permanente. Ainda maio vai a meio e já está desenhada a derrota de Queluz de Baixo. Parar para pensar é preciso. Muitas vezes, sobretudo em tempo de crise, a melhor receita de um programador é não fazer nada.

PRIMEIRA DERROTA
Algum dia tinha de acontecer. Segunda-feira, dia 13 de maio, Cristina Ferreira foi derrotada pela primeira vez desde que se estreou na SIC. A derrota foi estrondosa, de tal forma que o programa de Cristina ficou em terceiro lugar, atrás da RTP1 e da TVI. Quem é responsável pelo fenómeno? A peregrinação a Fátima, em direto nos canais concorrentes da SIC. 

A FASE DA HIPERATIVIDADE
Novos formatos, regresso a outros, clássicos, apresentadores em movimento, Maria de manhã e à noite, Manuel na sala de espera e na cozinha, cenários alterados pouco tempo depois de estrearem, as 19 horas sempre em movimento. A TVI está na fase da hiperatividade, estágio habitual neste tipo de processos, em que uma estação de televisão perde espectadores num processo contínuo e aparentemente sem explicação. Vem aí um conjunto de erros graves por parte da TVI. Cá estaremos para assinalá-los. 

MANUELA MOURA GUEDES
Voltou a ser notícia devido à entrevista que deu à TV Guia. O percurso de Manuela Moura Guedes como comentadora está a ser mais difícil do que ela própria, eventualmente, esperaria. O registo em que é confrontada, e até contrariada, pelo apresentador do jornal é aquele que potencia mais as suas qualidades. Tem a maré da estação atrás de si. Vai tudo a subir de enfiada, e ela também.

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