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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão Meu Amor

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A novela de Bruno

Os maiores patrocinadores e as estações de televisão que apostaram milhões no certame da Rússia estão a arder com o investimento, devido à crise que afecta o clube verde-e-branco. Drama no sporting está a abafar o mundial de futebol.
15 de junho de 2018 às 07:00
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Diante das novas rescisões no Sporting, Bruno de Carvalho voltou a atacar os jogadores Foto: Cofina Media

Lembra-se de quando os mundiais ou europeus de futebol ocupavam todo o espaço mediático? Lembra-se de como os telejornais mostravam adeptos, havia especiais de informação no cabo com as expectativas da selecção, e os programas de day time estavam cheios de figuras conhecidas que aceitavam aparecer equipadas a rigor? E as entrevistas em formato intimista com os grandes craques, Cristiano Ronaldo no relvado de casa, Nani a dançar, Quaresma com a família? Onde pára esse mundo?

Como era diferente o futebol nesses tempos – afinal de contas, não tão longínquos assim, porque, ainda há dois anos, em França, o coração lusitano palpitava a mil à hora até às televisões portuguesas. Era um tempo em que os patrocinadores que apostavam na Selecção viviam felizes. Todas as marcas se queriam associar ao futebol, nem que fosse à última da hora. As estações que gastavam milhões, como foi o caso da RTP e da SIC, orgulhavam-se das apostas.

Este ano, é tudo diferente – não há rentabilidade comercial, a SIC Notícias, por exemplo, evita até ao limite emitir os diários do mundial para evitar a irrelevância. E a culpa é da "novela Bruno de Carvalho", designação brilhante, que uso com a devida vénia ao texto de Luísa Jeremias, e que sintetiza  tudo. Bruno é daquelas personagens trágicas que leva as paixões até ao fim. A televisão é o palco por excelência deste tipo de dramas pessoais  que se misturam com a História.

Hoje, há Portugal-Espanha. Aí, sim, se jogará o interesse dos portugueses pelo futebol propriamente dito. Depois, voltaremos ao mesmo? A minha previsão? Sim, voltaremos!

FUTEBOL E POLÍTICA
Ou o jornalista que fez a peça, ou o técnico que inseriu as frases: um destes dois profissionais anda a pensar demasiado nos temas futebolísticos, e o dedo descai-lhe para a magna questão da Assembleia Geral do Sporting até mesmo quando fala o presidente do parlamento, por sinal um ilustre sportinguista.

ROBIN OU ROBBIE
O actor morreu há 4 anos. No magazine cultural da SIC Notícias, a imagem que aparece é do cantor Robbie, por sinal escolhido para a abertura do Mundial. É outra origem clássica de erros, nas TV portuguesas: quem escreve a notícia e quem desenha os grafismos, como os do cenário, são duas pessoas diferentes, e que nem sempre falam a mesma linguagem. Comunicação...

REFORMA FRANCESA ACABA COM CANAIS
A reforma da televisão pública em França vai no sentido contrário das grandes tendências lusitanas. Um dos canais da televisão do Estado vai fechar, e fundir-se com outro, porque o poder considera que ter um canal só para jovens não faz sentido e é despesista. Os orçamentos vão apertar, e as sinergias aumentar. A informação vai reforçar o pendor regionalista, de forma a incrementar a coesão nacional. Ideias simples para o serviço público: poupar, concentrar esforços, olhar para o país.

 

TELEVISÃO SEM IMAGENS
Este conjunto de erros nas televisões prova que a origem do problema é, quase sempre, a má comunicação entre profissionais do mesmo ofício, pecado ainda mais grave porque analisamos uma indústria de comunicação. Outro exemplo: um jornalista da redacção do Porto enviou a peça para Lisboa, e pediu que fossem inseridas as imagens respectivas. Manifestamente, a mensagem não chegou ao destinatário.

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