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Paulo Abreu O tal canal

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A pior RTP de sempre

Isto é que é grave: Nuno Artur Silva não percebeu a razão do seu afastamento, ele que, ao fim de três anos, pouco fez para acabar com a suspeita de negócios pouco transparentes entre a estação pública, a sua produtora e o seu canal no cabo.
10 de fevereiro de 2018 às 12:20
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A pior RTP de sempre

Já com a guia de marcha na mão, mas ainda a exercer responsabilidades na RTP como administrador de Conteúdos, Nuno Artur Silva recorreu, há dias, ao Facebook para escrever um extenso texto de despedida. Na hora do adeus, o também patrão do Canal Q e Produções Fictícias decidiu desferir um ataque violento a destinatários incertos. "Campanha difamatória, reles, miserável e sem escrúpulos…" ou "a pior escumalha da comunicação social" são apenas alguns dos termos utilizados na sua carta.

O pior do discurso, sinceramente, nem é isto. É, sim, verificar que Nuno Artur Silva não percebeu a razão do seu afastamento, ele que, ao fim de três anos, pouco fez para acabar com a suspeita de negócios pouco transparentes entre a estação pública, a sua produtora e o seu canal no cabo. Diz o quase ex-administrador da RTP, na sua carta de despedida, que tem recebido dezenas e dezenas de mensagens de solidariedade e de agradecimento, de amigos e não só, pelo trabalho "empolgante" desenvolvido no seu mandato por "excelentes equipas", em prol de uma estação onde se evidencia cada vez mais o serviço público.

Não sei de que serviço público fala realmente Nuno Artur Silva – ou os seus amigos ou conhecidos. Sei que as audiências de RTP1, RTP2 e RTP3 estão nos mínimos históricos; sei que o descontentamento na empresa é enorme; sei ainda que os formatos que mais atraem público ao ecrã são do tempo do antigo director de Programas, Hugo Andrade, como o The Voice Portugal e o Got Talent; e sei também que, das muitas apostas que fez na ficção nacional, algumas com avultados investimentos, não houve uma que tenha marcado um espectador, tal é a sua mediocridade.

Não me vou basear nas últimas críticas do Conselho de Opinião da RTP e no Conselho Geral Independente, lamento apenas que a estação pública esteja (bem) longe de ser aquilo que imagina Nuno Artur Silva. Dou um exemplo concreto, que aconteceu no domingo, dia 4: o Sporting sagrou-se campeão europeu de corta-mato em masculinos e femininos, em Mira, e a estação pública não transmitiu o evento. Pior: nem uma equipa de reportagem enviou a esta vila do distrito de Coimbra. Mas percebo: o Super Bowl é muito mais importante… 

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