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Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão meu Amor

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As perguntas da Globo

Onde se compara o preconceito de muitos decisores do jornalismo em Portugal às perguntas objectivas, mas agressivas, dos apresentadores que entrevistaram Jair Bolsonaro no dia a seguir às eleições.
02 de novembro de 2018 às 10:55
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O presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro

Em Portugal, parte do jornalismo televisivo tem um problema: muitas vezes, as decisões editoriais baseiam-se nas convicções, e não na  realidade dos factos.

É por isso que os canais generalistas e as suas emissões de notícias conseguem mobilizar grandes operações de televisão para cobrir tragédias anunciadas, que muitas vezes nem sequer se concretizam, e falham redondamente quando se trata de reagir a acontecimentos relevantes, em cima da hora. É o pecado capital do jornalismo televisivo.

Pulula por aí, nas redações, e voltou a acontecer nas eleições brasileiras. Domingo passado, SIC, TVI, e também, um pouco, a RTP colocaram as suas pedras no terreno, na expectativa do caos que iria resultar da previsível vitória de Bolsonaro. Os respectivos canais de notícias, incapazes de interromperem as emissões para reagirem a fogos, intempéries ou outras emergências em Portugal, desta vez artilharam-se por antecipação.

A contagem dos votos numa noite pacífica, apenas com ligeiras escaramuças, deixou a nu um certo tom de desilusão. É o resultado do excesso de opinião nas decisões do jornalismo televisivo português. Muito desses decisores deviam ver com todo o cuidado o vídeo da entrevista do presidente eleito ao 'Jornal Nacional', da Globo.

William Bonner e Renata Vasconcelos talvez tivessem razão de queixa de Bolsonaro, que ameaça perseguir o jornalismo incómodo. Os pivôs sublimaram toda a agressividade. As perguntas, contidas, foram directas ao osso. São 13 minutos que aconselho a todos os leitores. Está no YouTube. Uma autêntica lição de jornalismo.

NOIVOS EM FUGA
Mais de 210 mil espectadores fugiram da primeira para a segunda emissão de 'Casados à Primeira Vista', menos dois pontos percentuais de share numa semana. O esforço promocional e de marketing não resultou, pelo menos neste arranque tumultuoso da nova aposta da SIC. O formato mostra os seus limites. 

AUDIÊNCIAS DE OUTUBRO
No meio da queda dos generalistas, a TVI alarga a sua quota de mercado no mês de Outubro, mas fica muito abaixo dos 20%. A SIC encurta a distância, mas mantém-se a mais de três pontos percentuais da líder. As grandes apostas da SIC não revolucionaram, como ambicionavam, os hábitos dos espectadores.

A BRINCAR AOS ESPECTADORES
A queda para último lugar do programa de Cristina Ferreira na TVI, às 19:00, é uma lição de humildade para todos os programadores, críticos e intelectuais que costumam menosprezar os espectadores, tratando-os como seres sem inteligência nem capacidade de escolha. Pelo contrário! Se há coisa que o espectador detecta à distância é a patranha de quem pensa que pode manter o formato no ar, apesar da mudança de canal da apresentadora. 

O ESTRANHO CASO-ELEVEN
Champions e Liga espanhola são apenas duas das competições que os espectadores portugueses estavam habituados a pagar para ver na TV, mas que agora estão remetidas a um canal quase clandestino, que continua fora das três maiores operadoras de cabo. A forma como a Eleven continua a emitir quase em segredo é um fenómeno estranho. Os espectadores e clientes mereciam uma justificação clara.

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