Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

Crimes e carreiras

Nenhum Inspector tem a seu cargo uma só investigação e são raras as vezes, no quadro de centenas de milhares de processos, em que se formam equipas dedicadas exclusivamente a um determinado crime, ou sequência de crimes.
19 de novembro de 2017 às 07:53

Não se passa um único mês em que não receba correspondência de jovens estudantes encantados com séries como o ‘CSI’, ‘Mentes Criminosas’, ‘Chicago P.D’, e outras, bebendo nelas inspiração e entusiasmo para quererem escolher uma carreira de investigação criminal. Louvo-lhes o gosto que possuem ao ver ficção de qualidade. Porém, julgo que é tempo de refrear entusiasmos àqueles que julgam que investigar, em qualquer país do Mundo, é uma reprodução daquilo que os canais de televisão, ou mesmo os filmes, constroem como acção.

Respondo, pois, a algumas centenas desses jovens amigos, indecisos no momento em que deve escolher, no plano escolar, o princípio das suas vidas como adultos.

Comecemos por aquilo que a ficção não mostra. Cada crime é um processo transposto para papel ou introduzido no computador. Cada diligência é um papel escrito e introduzido nesse processo onde se dá conta daquilo que se fez. Cada interrogatório ou inquirição obriga a que seja transcrita, e assinada, por quem foi interrogado ou inquirido. Cada exame de Laboratório é um ofício. Cada autópsia é um relatório escrito. Cada exame forense é outro relatório escrito. Somando tudo, a ficção nunca mostra este lado burocrático da investigação, ou seja, mais do metade do tempo de qualquer investigador é passado em frente a um teclado transcrevendo cada momento daquilo que fez em cada processo.

Nenhum Inspector tem a seu cargo uma só investigação e são raras as vezes, no quadro de centenas de milhares de processos, em que se formam equipas dedicadas exclusivamente a um determinado crime, ou sequência de crimes. É um trabalho solitário, onde os tempos de acção, sobretudo acção idêntica àquela que as séries televisivas revelam, são diminutos. As centenas de capturas que a PJ faz, são na sua maioria pacíficas. Casos limites de perigo e perseguição são raros. Casos com tiroteio cruzado são ainda mais escassos. Dito isto, é uma profissão criativa, engenhosa, com um grau de liberdade superior à maioria. Porém, bem diferente daquilo que as televisões mostram. Fica o conselho: informem-se antes de escolher. A ficção é uma diversão. Investigar é o confronto com uma realidade bem dura.

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