Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Dicionário do amor

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Pedro Chagas Freitas: Mago

Mago: s.m. Aquele que transforma o amor que sente no amor que vive; o mais difícil num amor não é senti-lo – é executá-lo. Não faltam amores perfeitos embargados sem retorno em fase de construção.
10 de julho de 2017 às 12:39
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Pedro Chagas Freitas: Mago

Há quem tenha perdido a batalha apenas por não saber que estava numa.

Era isso o que nós éramos, nada mais, contendores de uma só batalha, jogadores de uma guerra em que, como todas as guerras, não há vencedores – só vencidos (não há agressores – só agredidos). Casámos para sermos felizes, há lá outro motivo para casar?, e aos poucos fomos esquecendo esse motivo; outros motivos foram chegando, as contas, as ambições, o que se meteu entre o que somos e o que não conseguíamos ser. Casámos para sermos felizes e talvez nenhum de nós,hoje, se lembre disso, tão embrenhados estamos num embate que fere os dois enão serve a nenhum.

O pior de um casal é o momento em que se ferem os dois sem servirem a nenhum.

E apesar de tudo isso se me perguntassem hoje com quem queria ser feliz eu diria que contigo, ainda contigo, porque sei que és a mulher da minha vida por mais que tenhamos desperdiçada a vida, essa em que eras a minha mulher, em nome de algo que não sabemos denominar, que ninguém sabe denominar. Há algo que ninguém sabe denominar que afasta muitas vezes quem se ama, um espectro incontrolável, um anti-amor que chega não se sabe de onde. Pode ser a rotina, quem sabe?, ou então o simples passar dos dias em nós. Casamos uns e vamos ficando outros. Por mais que seja a mesma pessoa, a pessoa com quem casámos há vinte anos já não é a mesma pessoa – porque nós já não somos a mesma pessoa. À nossa volta são todos o que nós somos, nada mais.

Assume: somos todos animais a fingir ser outra coisa qualquer.

Somos instintos, por mais que os queiramos diluir, condenar, apertar, domar. Mas não se doma o que nos domina. Amo-te mais do que quando acreditava que podias ser a minha mulher: amo-te para além da nossa possibilidade, e talvez seja esta uma das mais puras formas de amor, o desinteressado. Preciso de te saber bem para estar bem, para me saber, em mim, bem. Procuro-te sempre que tenho uma novidade para contar – e tu não estás. É aí, sobretudo aí, que percebo a solidão que é tu não estares.

O amor é aquilo que nos traz solidão quando não o temos.

Somos junkies de alegria, tristes viciados em satisfação. Ninguém faz o mal com o propósito de fazer o mal, apenas com o propósito de encontrar a felicidade. E nós fizemo-nos mal. Queríamos uma corda que nos salvasse do abismo e acabámos por enrolá-la ao pescoço. Fomos más pessoas para querermos ser boas pessoas; quisemos mostrar que éramos capazes quando o amor não tem de ser uma prova de esforço – só uma prova de amor. Amar é entender quando o amor, mesmo continuando, está acabado. E dói tanto o fim – mas dói ainda mais o meio acabado, um meio hipócrita, podre. Nada é mais triste do que algo que já acabou e que ainda assim continua.

Há dois lados de amar: o prático, que exige que duas pessoas se encontrem; e o teórico, que exige apenas que duas pessoas se amem. Somos teoricamente um do outro, e praticamente estranhos. Não nos vemos, não nos olhamos, não nos partilhamos, mas quando sofro e preciso de um ombro é no teu que pouso, garanto-te. Somos daqueles que queremos connosco quando choramos, e não daqueles que estão connosco quando festejamos. És o lugar onde quero deixar as minhas lágrimas: eis a mais profunda das declarações de amor.

Não conseguimos manter uma relação à distância, mesmo morando na mesma casa.

Mago: s.m. Aquele que tem em si uma ilusão em que acredita; o melhor mágico não é o que tem mais talento ou mais criatividade – é o que tem mais fé. Só quem acredita no que não existe pode fazer com que exista em quem o vê. Há amor a menos sempre que há fé a menos.

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