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Nasce uma nova SIC

Dr. saúde é a principal novidade das tardes em Carnaxide.
09 de março de 2018 às 14:31
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Nasce uma nova SIC

Uma estação com auditório mais pobre, mais idoso e menos urbano é o que resulta da mais recente alteração de grelha. É como se o canal estivesse a sofrer uma mutação sociológica à frente dos nossos olhos.

Arrancaram, finalmente, as novas tardes da SIC. O programa de João Baião e de Rita Ferro Rodrigues já tinha data marcada para acabar, e assim aconteceu. Em troca, a SIC passou a emitir duas novelas portuguesas repetidas, logo após o  Primeiro Jornal, Mar Salgado e Sol de Inverno. Logo a seguir, há um novo formato, Dr. Saúde, com uma temática adequada ao nome. Às 7 da tarde, continua Hêrnani Carvalho e o seu Linha Aberta, a precisar de crescer, mas sem cair no poço sem fundo que os seus antecessores da programação lograram atingir.

Trata-se de uma opção pobrezinha, que visa poupar recursos para outros horários, e que tenta passar entre os pingos da chuva sem comprometer. A repetição das novelas preenche 3 horas e meia a custo zero: o produto já está pago, já foi emitido, pelo que cumpre a sua função. Quem alinha a grelha desta forma prefere fazer 10 a 15 pontos de share sem gastar um tostão, em vez de investir dezenas de milhares de euros, e no final ter... os mesmos 10 a 15 pontos de share.

Eis que, na reorganização das tardes, está a nascer uma SIC dos novos tempos, e que tem a principal aparição no Dr. Saúde, apresentado por um rosto novo, Pedro Lopes. Vejamos os primeiros sinais: perto de dois terços de quem vê o programa tem mais de 45 anos, a mesma proporção de espectadores das classes D e E. É como se a SIC estivesse em plena transformação sociológica e geracional, rumo ao perfil da RTP1, e se afastasse dos mais novos e das classes sociais mais rentáveis comercialmente. Uma SIC mais pobre, mais idosa e menos urbana.

Metáfora dos novos tempos?                                      

Champions só a pagar
A Liga dos Campeões vai passar a ser um exclusivo Sport TV. Ou seja, em Portugal, o acesso ao futebol, nacional e europeu, está quase totalmente restringido a quem pode pagar a assinatura. Num país como o nosso, trata-se de uma limitação muito acentuada ao acesso público do produto, e um agravamento da menorização da TDT.

O jardim
Cláudia Pascoal sucede a Salvador Sobral no Festival da Eurovisão. Foi ela a escolhida na final de Guimarães, num espectáculo que continuou a senda de falhas da RTP neste evento de alta visibilidade para a empresa. Desta vez, falharam os microfones no clímax da festa. A escolha dos apresentadores para uma ocasião deste género foi, no mínimo, sofrível! 

Em los Angeles e nas Amoreiras
Interessante operação integrada, entre a SIC e a NOS, em redor dos Óscares. O espectáculo foi, durante anos, um exclusivo da TVI, mas a SIC conseguiu comprar os direitos. Este ano, inovou. Fez das Amoreiras um estúdio de informação e de entretenimento, juntou actores e actrizes portugueses, tentou fazer diferente. O resultado não foi nada de especial, tirando, claro, o próprio espectáculo, em directo de Los Angeles, mas a SIC tenta dar provas de vida. No estado actual da empresa, isso já não é pouco.

Meio milhão em fuga
Da primeira para a segunda gala, a Casa dos Segredos perdeu praticamente meio milhão de pessoas. Em concreto, foram menos 470 mil espectadores, e menos 11 pontos percentuais de share. É certo que a concorrência, na segunda semana, foi um pouco mais forte, com a final do Festival da Canção. Mas há sinais de preocupação sobre a resistência da aposta da TVI,  sobretudo se juntarmos as dificuldades dos diários...

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