Margarida Rebelo Pinto
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O medo das coisas erradas

O Amor é o oposto do medo e quando os homens têm medo de amar, estão perdidos para sempre.
14 de junho de 2019 às 07:00
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O medo das coisas erradas

Somos todos náufragos nas nossas zonas de conforto. 

Não sei que processo cognitivo desencadeou a recuperação da frase na minha cabeça. Há anos que me sinto como um náufrago e no entanto nunca tive uma vida tão confortável. Às vezes tudo parece cair numa calmaria densa e profunda, sou invadida por doses diárias de paz e de sossego e penso que, mesmo só, já consegui sair da rebentação.

Bloqueei-te das redes sociais e tento não pensar em ti nem mencionar o teu nome. Os romanos já diziam, se queres calar, cala primeiro, por isso sigo a receita como uma purga diária, doses de silêncio como óleo de fígado de bacalhau para o meu coração cansado. 

Sabias que o grande poeta e escritor Khalil Gibran viveu um longo e belo amor platónico que só terminou quando a morte o apanhou na curva? A sua amada era uma escritora Mary Haskell uma libanesa de feições suaves dez anos mais velha. A paixão uniu as duas almas durante 19 anos e o escritor disse que foi graças a Mary que se fez artísta. 

Entre as muitas cartas que Khalil lhe escreveu, há uma que me encanta particularmente, na qual ele explica porque não se deve ter medo do amor. Se fosses fluente em francês poderia enviar-ta, já que ainda deixei em aberto o whatsapp e o e-mail para uma emergência, um ataque de saudades, ou a cada vez mais ténue e longínqua possibilidade de um movimento teu na minha direção. Mas nunca me levaste a Paris, portanto não sei até que ponto dominas o idioma de Balzac e de Beaudelaire, génios que me ensinaram muitas verdades sobre a vida e muitas mentiras sobre o amor.

O autor da obra-prima "O Profeta" que continua a apaixonar gerações, escreveu à sua amada: porque tens medo do amor minha terna amiga? Tens medo da luz do sol? Tens medo do vai e vem das marés? Tens medo de cada dia que nasce? Tens medo do regresso da Primavera? Não temas o amor minha amiga do coração! Devemos submeter-nos a ele, apesar de tudo o que nos pode trazer em sofrimento, desilusão, nostalgia, perplexidade e confusão. Escuta Mary, vivo numa prisão de desejo que carrego comigo desde o dia em que nasci. Estou preso a correntes de uma ideia tão velha como as estações do ano. Queres ser o reflexo da magnitude do meu bem por ti de forma a que juntos possamos enfim emergir na luz do sol? Ficas junto de mim até que essas correntes se desfaçam e possamos caminhar livremente e sem entraves até ao topo da montanha? Vem até mim, aproxima a tua cara da minha, assim, um pouco mais, e que Deus te abençoe e te proteja, companheira amada do meu coração. 

Khalil aspirava à perfeição, se não a alcançasse, não abria mão da elevação. Acreditava que o amor era o verdadeiro alimento para a alma. Por entre as suas palavras tão sábias quanto apaixonadas, consigo ver raios de luz que trespassam a mesquinhez dos dias todos iguais, que galgam o silêncio e aplacam a tristeza, que matam o medo, ou pelo menos o fecham numa prisão escura usando as correntes com que este nos prende à vidinha. 

O Amor é o oposto do medo e quando os homens têm medo de amar, estão perdidos para sempre. 

Na minha zona de conforto onde o silêncio é rei e ao longe vejo o mar tão azul e tão tranquilo como eram as noites em que dormias a meu lado, encolho os ombros ao absurdo da vida e recupero outro pensamento: os homens têm medo das coisas erradas. Tu tiveste medo de perder a tua vida e acabaste, com as tuas mentiras e omissões, por perder uma vida comigo. 

Nunca tive medo de me dar nem de me entregar, sem entrega o amor não vinga.  Confiava em ti. Eras o meu piloto no balão de ar quente que a paixão alimenta. Contigo era tão fácil voar, subíamos devagar, com a suavidade que só se vive nos grandes amores e chegávamos ao cume da montanha sem pesos nem cansaço. Contigo todas as aterragens era perfeitas e graciosas porque confiava em ti. 

Essa vida que perdeste por medo, tem vista para o mar, as almofadas cheiram a alfazema e a minha pele a pipocas, umas vezes doces, outras salgadas. Mas tu não quiseste ser inteiro e maior, não quiseste abraçar a verdade de uma existência plena sem omissões nem desculpas. 

Comigo a vida é sempre a sério. Foi isso que te apaixonou. Pena que a alma de poeta que escondes no coração já se tenha dissolvido na espuma dos dias que te guiam como um cão cego que não reconhece o dono. A luz apenas brilha para aqueles que conseguem manter o coração aberto. 

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