Margarida Rebelo Pinto
Margarida Rebelo Pinto Pessoas como nós

Notícia

O passo certo

Nos meus sonhos a minha casa é sempre igual. Silenciosa, romântica e serena, como o meu coração quando me apaixono. Já lá vão alguns anos desde que tal fatalidade me aconteceu.
18 de agosto de 2017 às 00:00
...
O passo certo

Sonho muitas vezes com uma casa que nunca visitei . É numa praia onde o mar é manso e azul muito bebé.

Há anos que isto me acontece. Acho que coincide quase sempre quando um homem me prende a atenção. 

Não é fácil um homem chamar-me a atenção, mas o que é verdadeiramente difícil é conseguir prender a minha atenção com o passar do tempo. A maior parte das vezes esqueço-me das pessoas, é como se nunca se tivesse cruzado no meu caminho. Assim que o momento passa, morre tudo, é como se nada tivesse acontecido. Isto deixa as pessoas perplexas porque não entendem o que se passou, 

Ou esqueço sempre ou nunca esqueço e para sempre parece sempre aqui e agora, como se o tempo se repetisse.  

O oposto disto é aquela casa eterna é imutável, cujas divisões e paredes se desenham nítidas nos meus sonhos, bem como as plantas e árvores em volta. Está construída na areia, sem estacas. Não sei como lhe fizeram as fundações. Ali perto as ondas sobem em pequenos movimentos m, como uma criança que ensaia os primeiros passos.  

Já sonhei tantas vezes com aquela casa que agora tenho a certeza que existe. Talvez fique  em Key Caulker, a ilha mais querida do país mais querido que já visitei, o Belize. 

Lembram -se quando a Madonna cantava 'La Isla Bonita'? Essa é a ilha de São Pedro. A ilha de Key Caulker ainda é mais pequena e mais bonita.  

Numa noite de Verão um tornado separou a ilha em dois, partindo-a aí meio para sempre Foi há muitos anos. Desde então, um cardume de peixes dourados atravessa todas as noites o canal da separação. São peixes psicadélicos, às centenas, apressados e agitados como se soubessem sempre para onde vão.

Nunca me perguntei se seriam sempre os mesmos num ritual de repetição em estilo circuito de manutenção, ou sempre diferentes, perseguindo a rota dos seus antecessores como quem vai a Fátima pagar uma promessa. 

Nos meus sonhos a minha casa é sempre igual. Silenciosa, romântica e serena, como o meu coração quando me apaixono. 

Já lá vão alguns anos desde que tal fatalidade me aconteceu. Agora sinto -me finalmente recuperada, porque olhei para ti e gostei da tua cara clara, dos teus olhos que sorriem muito e do teu porte seguro de quem corta a direito. 

Na noite em que ficámos a conversar, senti o coração leve e o olhar renovado. E sonhei de novo com a casa na areia, com a sua sala pequena de portas sempre abertas e o seu quarto com saída para a praia.  

Quero voltar a esse lugar acordada, descobrir onde é e demorar-me como um viajante sem data para voltar , daqueles que escolhe uma nova  morada quando a vida anterior o esgotou.  

Se me convidares para jantar um dia destes talvez te conte o meu segredo: a casa escondida num areal desconhecido no país mais querido do mundo que sonho acordada um dia descobrir. 

Acredito que se um dia isso acontecer, talvez regresse finalmente a casa, com o passo certo de um par desenhado nas areias suaves de um futuro por construir. 

Mais notícias de O Tal Canal

O imperador César Mourão

O imperador César Mourão

O humorista da SIC estreou mais uma temporada de ‘Terra Nossa’ e destronou da liderança das audiências a novela ‘Quer o Destino’, da TVI. Mas o mais importante é mesmo o seu discurso ambicioso…
Teresa Guilherme em perigo

Teresa Guilherme em perigo

A apresentadora substitui Cláudio Ramos no ‘Big Brother’, após longa travessia no deserto, mas há cuidados a ter. Os inimigos estão aí
A menina Clarinha e eu

A menina Clarinha e eu

Não sei quantas vezes tentei esquecer-te, talvez menos do que tu e mais do que o meu coração aguenta, a única que sinto é que, cada vez que a dou espaço à razão, o meu coração começa a encolher-se como um bolo sem fermento, a vida fica sem açúcar e os dias sem sabor.
SIC ataca (e bem) a TVI

SIC ataca (e bem) a TVI

O ‘Big Brother’ ganha ao ‘Agricultor’? Não faz mal: aposta-se em ‘Nazaré’. O ‘Somos Portugal’ é uma marca? Não faz mal: faz-se uma coisa igual. Na guerra vale tudo, e a estação de Queluz de Baixo não tem muito tempo…
Impossível baixar a guarda!

Impossível baixar a guarda!

Infelizmente basta ligar a televisão ou ler as manchetes dos principais jornais e meios de comunicação online para perceber que as festas ilegais continuam a acontecer de norte a sul do país; que os convívios multinucleares são cada vez mais encarados como autênticas festas de desconfinamento, que o sol, o calor e o mar estão a toldar os sentidos conduzindo-nos para o precipício.

Comentários

Comentários
este é o seu espaço para poder comentar as nossas notícias!
;