Paulo Abreu
Paulo Abreu O tal canal

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Obviamente, demitam-no

Se Nuno Artur Silva está agarrado à cadeira do poder, alguém que mande a sério na RTP ponha este administrador na rua. Estamos fartos de negócios pouco transparentes.
20 de janeiro de 2018 às 07:00

1. A RTP está a ferro e fogo, depois de uma notícia exclusiva da ‘TV Guia’, há duas semanas, que dava conta de mais negócios pouco transparentes na empresa, um deles a série ‘País Irmão’, nascida no berçário das Produções Fictícias, produtora que continua a pertencer a Nuno Artur Silva, administrador da estação pública e proprietário do Canal Q. O comunicado da Comissão de Trabalhadores, emitido na sexta-feira à noite, é sintomático.

"A actual RTP tem um director de Programas (Daniel Deusdado) que passou a sua produtora de vídeo para a posse da esposa, um administrador para a área dos Conteúdos (Nuno Artur Silva) que tem um canal de televisão em concorrência directa com a própria empresa, e um colaborador (Virgílio Castelo) que emite pareceres sobre a aquisição de projectos de ficção onde participa como actor. Isto poderia acontecer na BBC? Isto não é exemplo para nenhuma empresa pública em Portugal e não acontece em nenhuma estação de serviço público no mundo civilizado." 

Já se percebeu que, mesmo com uma nova polémica, baseada em factos verdadeiros, com as justificações mais disparatadas que se possa imaginar, com os trabalhadores revoltados, Nuno Artur Silva não quer deixar a cadeira do poder. Com uma administração prestes a ser reconduzida para um outro mandato, de três anos, é óbvio que alguém o deve demitir.

A RTP, a estação de todos os portugueses, e paga por todos os portugueses, merece melhor.

A começar pela transparência, coisa sempre rara no nosso país. Como escreveu, um dia, José Saramago, "não tenhamos pressa, mas não percamos tempo".

2. Ainda na RTP, que decidiu apostar em quatro mulheres para apresentar o Festival da Eurovisão da Canção, em Maio. Se Catarina Furtado me parece um nome consensual, se Sílvia Alberto e Daniela Ruah podem ajudar a formar uma boa equipa no palco, já a escolha de Filomena Cautela, quando a estação pública tem, por exemplo, Sónia Araújo e Tânia Ribas de Oliveira, duas profissionais talentosas, deixa-me sérias dúvidas. Aliás, todas, como se pode confirmar no programa 5 Para a Meia-Noite.

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