Luísa Jeremias
Luísa Jeremias Planeta cor-de-rosa

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Querido Presidente...

Serve esta carta para lhe dizer que gosto de si. E que já estava com saudades de o ver com esse boné horrível, com esses calções sempre iguais, esse ar descontraído e de bem com a vida, a caminhar pelo areal...
08 de agosto de 2017 às 19:01
Querido Presidente, 

Faz de conta que esta é uma cartinha, daquelas escritas como quando éramos meninos e queríamos passar recados especiais a quem gostávamos e estava longe. Faz de conta que é um postal de verão, colocado num marco do correio de uma cidade qualquer perdida, de um vilarejo com praia por perto, já com uma nódoa de gelado e o empastelado dos dedos como calor que se sente por aqui. 

Querido Presidente Marcelo, 
dizia, 
Serve esta carta para lhe dizer que gosto de si. E que já estava com saudades de o ver com esse boné horrível, com esses calções sempre iguais, esse ar descontraído e de bem com a vida, a caminhar pelo areal, a beber água na palhota do Gigi e a dar uns valentes mergulhos na água quentinha rodeado de crianças. As mesmas crianças que cumprimentou uns minutos antes e que o seguiram como fazem com os avôs deles.

Gosto de ter um presidente assim: livre. Gosto que goste do mar, da praia, que não tenha medo das pessoas, nem interprete papéis que parecem bem ou mal. Eu sei, está a borrifar-se para essas convenções sociais todas, para o alegado protocolo, para as criticas (elas existem sempre, seja qual for a sua forma de estar). Sabe aquela frase que diz que os ricos quando o são verdadeiramente não precisam de ostentar nada, e as pessoas cultas não têm de passar a vida a puxar dos galões, e os influentes nunca chegam a impor-se... porque já são "visíveis" e fundamentais naturalmente... então, assim é o presidente Marcelo. Não precisa ser, ou parecer... porque já é. E isso é bom!

Lembro-me de me cruzar com dirigentes e chefes de Estado que estendiam a mão em festas e romarias sem olhar uma única pessoa nos olhos. Ficava com a sensação de que quando abandonavam aqueles locais deviam tomar banho em álcool etílico para tirar os micróbios dos pobrezinhos. Lembro-me de ter vontade de desinfectar a mão que me foi apertada (apertada, não, tocada de forma leve e enojada) quando saía de junto deles e sentia como eles deviam odiar tudo aquilo... o povo, a "gentalha" que os elegeu...

Pois a verdade é que com o presidente é diferente. Aperta, abraça, olha nos olhos, sorri e segue caminho. Chega. E isso faz todos felizes. Depois dá os seus mergulhos, come uma maçã, uma sandocha, lê a papelada na praia (como eu o percebo...), ajeita o boné e só não dorme uma soneca porque desconfio que não dorme há anos. Aliás, ando desconfiada que o presidente não é deste mundo: é extraterrestre! Porquê? Por tudo!
Já expliquei nestas linhas todas de carta que já vai longa.
Mas, se quiser, um destes dias explico-lhe pessoalmente. Quando a gente se cruzar aí pela praia, ou à saída da missa em Cascais, ou se calhar no Brasil, sei lá, aquela espécie de (sua e minha, julgo...) segunda casa.

E aí, posso cantar aquela até música da Elis e explicar a minha teoria:
"Alô. Alô marciano,
aqui quem fala é da Terra,
pra variar estamos em guerra, você não imagina a loucura
o ser humano tá na maior fissura porque
tá cada vez mais down the high society..."

Verdade ou não?
A gente depois fala! Agora também vou dar um mergulho, Presidente, que a terra vista do mar é mais bonita.
Beijinhos,
Luísa. 

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