Carlos Rodrigues
Carlos Rodrigues Televisão, meu amor

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SOS ficção nacional

Novelas portuguesas da SIC e da TVI já não estão na moda. Os enredos repetem-se, os cenários empobrecem, a iluminação degrada-se, a criatividade escasseia. Culpar a medição de audiências pela quebra de espectadores não passa de uma desculpa de mau pagador.
09 de novembro de 2018 às 16:31
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SOS ficção nacional

Ao fim de duas décadas de actividade, as principais fábricas de ficção estão no limiar de uma crise profunda. Quer na SIC, quer na TVI, os modelos das novelas estão esgotados, e exibem os vícios próprios da rotina que corrói a energia criativa de qualquer profissão. Os sintomas são claros: os guiões não têm chama. Há quanto tempo o País não se apaixona por uma personagem, como aconteceu em tempos com o Anjo Selvagem?

E os cenários? Parecem repetir-se de novela para novela. Os espaços interiores são iluminados de forma baça, não respiram para a realidade – cada um de nós sente-o de imediato quando olha para o ecrã. Poderíamos pensar que a quebra da criatividade e o consequente empobrecimento dos conteúdos levaria a uma euforia da forma, a ritmos cada vez mais intensos de filmagem e de montagem. Mas não! A duração dos planos, dos episódios e das narrativas cria uma fábrica de bocejos em cada sala de estar.

Os actores, por outro lado, mostram-se ansiosos em cena. Desesperam por desafios de qualidade. É daqui que brota, também, o festim insano das redes sociais, onde o principal passatempo é a promoção da mediocridade. No fundo, a redução dos orçamentos anda a par  com a falta de inteligência e de criatividade. A sociedade divorcia-se das novelas portuguesas, divórcio que  será tanto mais profundo quanto mais tempo a indústria demorar a perceber que há um problema. Quem analisar as médias das novelas portuguesas no horário nobre percebe de imediato a gravidade do problema. Culpar a medição de audiências é apenas uma pobre desculpa de mau perdedor.

House of Cards de volta
A televisão de qualidade é para ver e desfrutar. Estreou entre nós, no sábado à noite, na TV Series, a nova temporada da saga dos Underwood. Na era do #metoo, Kevin Spacey foi afastado, com uma morte providencial que deixa o palco todo à presidente Claire. Sem Spacey não é a mesma coisa, mas continua imperdível.

10 meses, 10 jogos
O futebol é o grande rei das audiências. Os 10 programas mais vistos do ano, até ao momento, são 10 jogos de futebol. Selecção, Champions, taças e supertaças, tudo serve para juntar multidões de espectadores, sedentos de jogos de bola num País em que assistir a todas as competições implica gastar dezenas de euros mensais, com Sport TV, BTV, Eleven e o mais que houver.

Judite Sousa, o Brasil e "Lisboa"
O jornalista é sempre o chefe da equipa de reportagem televisiva no terreno. Está certa, e é natural, portanto, a posição de Judite de Sousa na troca de ideias mais acesa com o repórter de imagem, no Brasil, ainda por cima porque Judite não é uma jornalista qualquer. Triste e lamentável é a forma como a TVI ("Lisboa", como refere Judite na gravação) expõe publicamente a equipa e a redacção, tratando em público, e expondo, as suspeitas sobre a fuga das imagens para o exterior.

Desfile militar nas TV
O maior desfile militar da democracia foi uma boa celebração do centenário do armistício da Primeira Guerra Mundial, com competentes coberturas televisivas. O povo veio à rua e mostrou forte ligação às Forças Armadas. No final do dia, o principal chefe militar do País, o almirante Silva Ribeiro, fez na CMTV a síntese perfeita. "Os portugueses admiram as suas Forças Armadas", disse o CEMGFA. Parabéns pela iniciativa.

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