'
Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

Notícia

A inveja

Cristiano Ronaldo insurgiu-se perante tão grande injustiça, protestou, gritou, furioso, e sabendo que não podia responder ao árbitro como merecia, num gesto de raiva atirou fora a braçadeira de capitão de equipa. Foi o pretexto. O País invejoso, servil e incapaz ignorou o ‘roubo’ a Portugal.
04 de abril de 2021 às 07:00
...
Ronaldo, Sérvia, VAR
É um dos sete pecados capitais e não tenho qualquer dúvida de que nasceu, foi criado e cultivado em Portugal. As ondas de frustração e de raiva que encharcam as redes sociais e, até, os debates mais ou menos públicos têm associado, na generalidade dos casos, uma causa de rancor que nos remete para o território da preguiça, do despeito, da incapacidade para atingir objetivos que outros conseguem realizar.

Não são só as figuras públicas que estão sujeitas ao escrutínio da inveja. Tornam-se mais atrativas para os cultivadores do ódio e do despeito porque têm uma presença maior no espaço público. São enxovalhadas, brutalizadas, ofendidas, maltratadas sujeitas a ofensas e agressões saídas do esgoto de onde brota o esterco humano. Crimes como o assédio, a injúria, a difamação e a calúnia tornam-se no quotidiano desses desgraçados e desgraçadas que, pelo talento e pelo trabalho, se tornam o objeto de escárnio dos vencidos da vida. Que projetam nos outros a idealização daquilo que desejariam ter sido, e jamais o serão, por incompetência, preguiça, e incapacidade artística ou intelectual. O ódio e o rancor são sentimentos dos fracos. Dos incapazes. Dos infelizes por sua única culpa.

Vem esta reflexão a propósito de Cristiano Ronaldo. Respeitado por milhões, adorado por muitos mais milhões, com uma história de jogador quase inimaginável para um ser humano, foi, durante esta semana, o bode expiatório de todos os moralistas de latrina. Porquê? Porque representando Portugal num jogo contra a Sérvia marcou um golo limpo ao terminar da partida. Não foi um golo qualquer. Dava a vitória à seleção que representa, em vez de um ponto na classificação para o Mundial, Portugal conquistaria três pontos, o que, numa prova reduzida a escassos jogos, são preciosos para quem quer ser campeão do mundo.

Porém, o árbitro, por incompetência, anulou o golo. Cristiano Ronaldo insurgiu-se perante tão grande injustiça, protestou, gritou, furioso, e sabendo que não podia responder ao árbitro como merecia, num gesto de raiva atirou fora a braçadeira de capitão de equipa. Foi o pretexto. O País invejoso, servil e incapaz ignorou o ‘roubo’ a Portugal. Escutou-se um ou outro gemido de protesto, porém a braçadeira, a braçadeira!, foi o mote para arrasar o extraordinário atleta. A lava do despeito escorreu. Humilhar um herói, insultá-lo, denegri-lo (houve quem dissesse indignado que atirara fora um símbolo nacional) é bem mais gostoso do que entrar em rebelião contra o grave dano que aquele árbitro provocou à seleção portuguesa. Na verdade, a inveja foi sempre muito cobarde. Mas atrevida.

Mais notícias de Piquete de polícia

A Furiosa Internet

A Furiosa Internet

Os verdadeiros génios da informática são jovens. Jovens talentos que jamais ganharão nas Polícias, os valores que lícita ou ilicitamente ganham no mercado virtual. Estamos, assim, dentro de um grande incêndio descontrolado.
A inveja

A inveja

Cristiano Ronaldo insurgiu-se perante tão grande injustiça, protestou, gritou, furioso, e sabendo que não podia responder ao árbitro como merecia, num gesto de raiva atirou fora a braçadeira de capitão de equipa. Foi o pretexto. O País invejoso, servil e incapaz ignorou o ‘roubo’ a Portugal.
Adeus, 2019!

Adeus, 2019!

O ano que termina não trouxe grandes notícias.
Escola e violência

Escola e violência

Uma comunidade contaminada pela incapacidade do juízo crítico e fome de saber está condenada ao fracasso e a ser dominada pelos medíocres que se formaram em ‘chico-espertice’.
E se for crime?

E se for crime?

Nos últimos tempos multiplicaram-se movimentos anti-científicos, de índole salvífica. É neste contexto que deve ser compreendida a atitude de certos pais que recusam vacinar os seus filhos, deixando-os expostos a uma imensidão de riscos em que a morte espreita.
O hábito e o monge

O hábito e o monge

Em nome de uma fé cega, e sem vigilância crítica, é possível encontrar resquícios do Portugal antigo, medieval, sujeito à crença, dominado pela crueldade de um sacerdote. Foi assim há muito tempo. É assim hoje.

Mais Lidas

+ Lidas