Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de polícia

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Escola e violência

Uma comunidade contaminada pela incapacidade do juízo crítico e fome de saber está condenada ao fracasso e a ser dominada pelos medíocres que se formaram em ‘chico-espertice’.
10 de novembro de 2019 às 07:00
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Escola e violência
Foto: Cofina Media

Não é de hoje a proposta. Já tem barbas, embora parecer que desta vez vai ser implementada. Até ao nono ano de escolaridade (antigo quinto ano) vai deixar de haver reprovações. Julgo, pelas notícias, que haverá programas de apoio aos estudantes mais mal preparados e um conjunto de acções que visam calibrar os níveis de conhecimento quando chegam ao décimo ano. Sabe-se que noutros países europeus existe este procedimento. Mas também se sabe que é no domínio da educação que Portugal é um dos países mais atrasados no que respeita ao abandono escolar, à quantidade de licenciados, à iliteracia, fenómeno esmagador, que substituiu o analfabetismo e nos revela uma sociedade inculta, impreparada, incapaz de garantir desenvolvimento sustentado no que respeita à comparação com outros países europeus. Acresce a tudo isto, nunca ter sido promovida uma cultura do mérito. O poder não é detido pelos melhores. Diria mesmo, os vários poderes. Uma comunidade contaminada pela incapacidade do juízo crítico e fome de saber está condenada ao fracasso e a ser dominada pelos medíocres que se formaram em ‘chico-espertice’.

A Escola nunca foi objecto de uma profunda reforma. Não admira. Reconstruída para a competitividade, onde valem as melhores notas, a Escola que herdámos do Estado Novo caminhou para tolerância que aniquilou a autoridade dos professores, que os transformou em agentes administrativos de mudança, cercados de papéis e objectivos curriculares. Os programas seguiram a mesma rota. A nossa Língua (o maior activo da identidade nacional), a História, e restantes disciplinas marcadas pelo facilitismo. Também não admira. Num mundo de competitividade os pais querem boas notas. Não querem professores exigentes que estimulam o rigor, a disciplina no trabalho, a construção de saberes. Por isto tudo, também não admira a multiplicação de casos de violência nas escolas. Docentes e funcionários agredidos, maltratados, enxovalhados por alunos e encarregados de educação. Ensinar deixou de ser uma obrigação. É exigível notas altas, mesmo que os seus portadores sejam más pessoas e maus alunos. Tudo se torna mais crítico quando se sabe que esta reforma poupa 250 milhões de gastos com alunos. Percebe-se. A grande preocupação é o deficit. Não são as nossas crianças.

Correspondência:

Júlia Rodrigues, Lisboa

"Não tenho explicação para a sucessão de tragédias associadas ao tráfico de seres humanos comandado por gente sem escrúpulos que aproveita a infelicidade dos imigrantes para ainda mais os explorar na sua tragédia".

A Europa, particularmente a União Europeia, não tem uma política prioritária e firme no que respeita ao tráfico de seres humanos. Preocupada com o terrorismo, não percebeu a verdadeira carnificina e exploração a que estão sujeitas milhares de vítimas nas mãos dos novos negreiros. É urgente redesenhar as políticas que articulem uma luta em larga escala contra esta miséria humana.

Rudolfo Figueira, Coimbra

"Não conheço o processo da Operação Marquês mas por aquilo que se vê e se pressente, fica-se com a ideia de que não vai haver julgamento tão cedo para os envolvidos."

Não sou tão pessimista. Porém, pelo andar da carruagem, que se adivinha muito lenta, existe uma possibilidade ainda mais grave: A prescrição antes do trânsito em julgado das sentenças. Basta que a decisão instrutória não seja igual à acusação e vai começar uma procissão de recursos que empurrarão o julgamento do processo lá para 2021. Depois é uma questão de tempo.

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