Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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Igreja e pedofilia

Um escândalo que se multiplica por vários países, sendo dos Estados Unidos que chegam às notícias mais alarmantes, tendo o cardeal McGarrrick apontado como um predador sexual compulsivo.
02 de setembro de 2018 às 07:02
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Igreja e pedofilia
Foto: Reuters

A viagem do Papa Francisco até a Irlanda fez recrudescer a visibilidade dos crimes de abusos sexuais contra crianças cometidos por ministros da Igreja. Um escândalo que se multiplica por vários países, sendo dos Estados Unidos que chegam às notícias mais alarmantes, tendo o cardeal McGarrrick apontado como um predador sexual compulsivo.

Não é de hoje tal situação e revela, antes do mais, a incapacidade e a obstinação, a raiar a estupidez, da Igreja católica em lidar com a sexualidade. Tudo é preconceito e hipocrisia. A começar pela obrigação de celibato dos sacerdotes, passando pela voluntária ignorância sobre o uso de preservativos, pela completa surdez quanto a segundas núpcias por divórcio ou viuvez, culminando no não reconhecimento dos direitos das mulheres ao magistério eclesial. Agudiza o problema a perpetuação de padres que se tornaram país, que são homossexuais com vida própria e, finalmente, padres, bispos e cardeais pedófilos. Na verdade, a Igreja, no que respeita ao sexo, continua a considerar assunto tabu, proibido, indiscutível, transformando-se em cúmplice e apoiante de criminosos que em vez de envergarem sotainas deveriam estar encerrados em cadeias como vulgares bandidos.

Não deixa de ser paradoxal que seja a igreja mais conservadora e ultramontana, onde estão os que violaram crianças, aqueles que souberam e calaram, os outros que souberam e encobriram, aqueles que, agora, se movimentam pedindo a cabeça do Papa. No fundo, a razão é perversa: Francisco não se calou. Exige tolerância zero e pede perdão às vítimas. É pouco mas já é um grande passo. Um grande passo para aproximar a Igreja do Sec. XXI. Para perceber as profundas alterações culturais que modificaram os comportamentos humanos e onde o sexo merece a discussão urgente dos concílios. Para salvação da própria Igreja.

CORRESPONDÊNCIA

"Julgo ter entendido por comentários que vi na televisão que a violência doméstica aumenta durante o Verão. É verdade?"

Lurdes Oliveira, Algés.

Não existem estatísticas sérias que comprovem essa afirmação. É um território mal conhecido pois julga-se que a maior dimensão deste problema está escondido naquilo que se chama a cifra negra, isto é, a diferença que existe entre a criminalidade conhecida pelas as autoridades e a criminalidade real, que fica escondida e não é do conhecimento das polícias nem dos tribunais. Admite-se que estão escondidos números enormes de crimes que ficam no silêncio das vítimas, dos familiares e dos agressores.

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