Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores

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Roubar a eito!

Este assalto é um punhal apontado aos níveis de responsabilidade, de segurança, de consciência de usar armas ao serviço do Estado. E não foi o primeiro...
11 de julho de 2017 às 00:00

Esta semana o país ficou boquiaberto com dois acontecimentos. Um deles, já com história feita, em que foram detidos vários oficiais e sargentos do exército por se abotoarem com o "paiol dos melões", isto é, aproveitando os serviços de alimentação das tropas, terão enriquecido à custa de ranchos comprados ao preço da uva mijona e pagos como se fosse outro. A diferença de valor entre a comida servida e os bens alimentares realmente pagos era distribuída democraticamente pelos vários guardiões do economato. Nada de novo.

A tropa tem muitas histórias ligadas ao desvio de massa no que respeita à compra de víveres. Conta-se, até, a história de um oficial famoso que fez fortuna com especialidade em negócio de batatas... Seja como for, um acto banal. Nenhuma profissão é tão bacteriologicamente pura que não exista no seu seio gatuno ou burlão que se presta a este tipo de ordinarices.

Por outro lado, já fora da gatunice vulgar, um grupo, que se presume organizado, conseguiu assaltar verdadeiros paióis militares, levando consigo armamento suficiente para devastar uma cidade a tiro e explosões. Um caso de gravidade extrema que tem provocado a estupefacção e a ironia da imprensa nacional e estrangeira.

Este assalto é um punhal apontado aos níveis de responsabilidade, de segurança, de consciência de usar armas ao serviço do Estado. Não foi o primeiro. Nos últimos anos, aconteceu coisa idêntica, embora com menor força destrutiva, numa unidade de Comandos e, até, da sede nacional da PSP. Paióis com vigilância escassa, armas e explosivos sossegadamente expostos à determinação de ladrões de alto coturno. Segundo se diz, ao serviço do terrorismo.

Dito por outras palavras, enquanto os outros países europeus apertam os círculos de vigilância a terroristas e às logísticas que os apoiam, por cá, permitimo-nos a este escândalo inqualificável. Ah, só falta acrescentar uma coisa: temos um ministro da Defesa, mas ele próprio não sabe. Se o soubesse, há muito que tinha pedido desculpa aos portugueses e ia tratar da vidinha num outro tacho qualquer...

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