Francisco Moita Flores
Francisco Moita Flores Piquete de Polícia

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Rui Pinto & Companhia

As aventuras e desventuras do hacker Rui Pinto, que desvendou segredos dos grandes clube portugueses, sendo criminosas possuem laivos de um romantismo justiceiro.
24 de março de 2019 às 08:00
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Rui Pinto & Companhia
Foto: Cofina Media

As aventuras e desventuras do hacker Rui Pinto, que desvendou segredos dos grandes clube portugueses, recentemente detido na Hungria e com decisão de extradição para Portugal, sendo criminosas possuem laivos de um romantismo justiceiro.

Na verdade, sendo crime entrar na privacidade das contas de correio electrónico, e por tal razão o jovem vai ser julgado, não deixa de ser assustador conhecer o resultado dessas actividades criminais. Refiro-me aos jogos de bastidores, à manipulação, ao compadrio, às negociatas que escapam aos adeptos ingénuos e incautos que vão a um estádio ver um jogo de futebol, longe de pensar que estão perante uma disputa leal. Não estão.

Como se percebe da correspondência usada ilegalmente e amplamente divulgada na comunicação social, o poder dos bastidores do futebol corrompe, prostitui, avilta a expectativa desportiva. Comandantes, que são verdadeiros facínoras, apoiados por legiões de adeptos que rapidamente se despem dos valores da cidadania, da indignação cívica para os defender, até ao insulto, até ao murro, até à bestialidade mais feroz. Um ambiente deprimente que apenas poder ser habitado por gente deprimida.

Por outro lado, novas notícias sobre os negócios de Alvalade, clube semidestruído desde que adeptos-bandidos, iguais aos anteriores, invadiram Alcochete, dão conta que a anterior gerência terá delapidado o clube em milhões de euros. O mais chocante é aquele que agora veio à luz do dia. Um contrato com um clube africano para afiançar dez jogadores pelo valor de 330 mil euros. Só que nem os jogadores sabiam e, a maioria deles, nem jogadores de futebol são.

O crime à solta nos bastidores da bola. Não deixa de ser interessante que, no quadro deste vendaval criminoso, não existam dirigentes ou ex-dirigentes presos. Não deixa de ser indicador de decadência de um País, perceber o crime à solta impunemente quando se trata de futebol e, ao mesmo tempo, compreender que as paixões clubísticas valem bem mais do que o Estado de direito.

Compreendo que no meio desta loucura irracional, com esta inversão de valores essenciais à vida comunitária, Rui Pinto tenha medo de ser assassinado. Tem todas as razões para pedir protecção especial. Teve o atrevimento de se meter num território de emoções onde imperam os alarves.

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