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Paulo Abreu O Tal Canal

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Globos pariram um rato

A cerimónia foi líder de audiências e isso chega para a SIC. Mas quando, no dia seguinte, só se fala dos cinco vestidos de Cristina Ferreira e de Bárbara Guimarães, algo vai mal na televisão portuguesa.
05 de outubro de 2019 às 07:00
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Globos pariram um rato
Foto: Liliana Pereira
1. Facto inquestionável: a gala dos Globos de Ouro, transmitida pela SIC no domingo, foi líder de audiências, com 1 milhão e 364 mil espectadores, "o que já não acontecia de uma forma tão avassaladora desde 2011", como enaltece orgulhosamente a estação de Paço de Arcos. E, portanto, tratando-se de uma estação privada, o principal objetivo foi conseguido: o resultado. Esmagou a concorrência na TVI (MasterChef, com 475 mil espectadores) e na RTP1 (I Love Portugal, com 397 mil espectadores). Posto isto, vamos ao que vi, e digo já que a montanha – perdão, a edição deste ano – pariu um rato.

O cenário majestoso no Coliseu de Lisboa, a aparição emocionante de Bárbara Guimarães, por causa do seu drama de saúde, e o discurso de Maria do Céu Guerra, talvez o único com conteúdo que nos pôs a pensar no mundo em que vivemos, não apagam a má opção técnica de pôr os nomes dos nomeados das categorias no chão do palco, tais como aqueles que morreram em 2018; não apagam a vitória de Conceição Lino na Personalidade do Jornalismo – pior do que ver premiado o seu programa E se Fosse Consigo?, que demora a ser feito entre seis meses e um ano, foi assistir à lição que quis dar aos camaradas de profissão, ela que foi (uma péssima) apresentadora de entretenimento entre 2010 e 2014; e não apagam, por exemplo, os textos sem rasgo no teleponto.

No dia seguinte aos Globos de Ouro, as conversas incidiam sobre os cinco vestidos de Cristina Ferreira e um colar que usou, no valor de 1 milhão de euros. Uns defendiam a apresentadora, outros atacavam-na, o que também já é normal, sendo a personalidade que é. A sério, a noite anterior no Coliseu resumia-se a isto, a Bárbara Guimarães e pouco mais, com a maioria das pessoas a não se lembrar dos nomes dos vencedores. E, perante isto, que festa foi esta tão diferente de todas as outras a que assistimos no passado? Ah, a data. Não fazia sentido nenhum realizar a gala no dia da final da Taça de Portugal, como tanta vez o escrevi. 

2. O que fez a RTP, que tem os direitos dos Mundiais de Atletismo, no Catar, no sábado à noite? Não emitiu em direto a conquista histórica de João Vieira (medalha de prata) nos 50 quilómetros marcha. É essa a sua estação pública, caro Gonçalo Reis?

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