Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Dicionário do Amor

Notícia

O amor é...

...aquilo que faz de uma pessoa uma pessoa.
30 de abril de 2019 às 13:53
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O amor é...

[a explicação da juventude]

A juventude não sabe o que faz, e é por isso que a juventude é que a sabe toda. Vive-se, enquanto jovem, com a imortalidade no bolso. Julgamo-nos inatingíveis, intocáveis, senhores do mundo. A morte, essa, está bem longe, numa miragem a que só os nossos avós têm acesso, coitadicos, são uns restos de pessoas e nós, magnânimos, ainda lhes damos atenção para que morram em paz.

Queremos tudo com urgência, para ontem, para antes de ontem, queremos que tudo aconteça com velocidade, carpe diem e tretas assim, gozar o momento, agarrar o agora, que engano, meu Deus, o segredo de aproveitar o dia é não apressar o dia. Mais tarde, quando tiverem os seus próprios jovens, magnânimos, a estarem com eles para que morram em paz, irão sabê-lo, mas para já só o que é urgente vale a pena. 

[a explicação do pai]

Um pai é, para o seu filho, uma espécie de lenda viva, o gajo que consegue coisas inacreditáveis, que resolve tudo, que tem a resposta para tudo, que o leva ao futebol, que joga com ele, que brinca com ele. Um pai é, para o seu filho, o herói possível, o herói que ele tem à mão, o herói para consumo imediato, mesmo que não seja, e isso acontece muitas vezes, herói nenhum. Só tarde, tarde demais, é que o filho consegue ter discernimento para, de forma mais distante, perceber quem é aquele que ele tanto venerou. É aí que acontecem as famigeradas desilusões, as famigeradas altercações: no momento em que o filho, mais velho, mais consciente ou mais inconsciente, se rebela perante o pai. Deixa de lhe obedecer cegamente, porque já não o vê como o líder carismático que sempre lhe pareceu ser, porque começa a ter as suas próprias ideias, porque quer experimentar, por todos os motivos e mais algum. Chega um momento em que um filho deixa de ser o filho do seu pai e passa a ser o pai de si mesmo, ou no mínimo passa a acreditar que pode sê-lo (é também aí que o pai deixa de ser o pai do seu filho e passa a ser o órfão do seu filho). A dor da adolescência está nessa passagem de testemunho, de fora para dentro. Deixa-se de depender dos outros, dos que nos protegiam, dos nossos heróis, e passamos a depender de nós mesmos, e isso dói, isso dói como poucas dores doem. 

[a explicação da geografia]

A distância não é uma construção geográfica, é uma construção emocional. 

Sinal: s.m. Tudo aquilo que te faz mudar o estado, e o caminho, em que estás; o mesmo que vida. Só quem não vive não muda de estado — e por isso se perde pelo caminho.

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