Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas

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COMO F*DER UM CASAMENTO 17. ENCOLHER OS OMBROS.

- O que queres fazer hoje?
08 de fevereiro de 2020 às 11:28
...
COMO F*DER UM CASAMENTO  17. ENCOLHER OS OMBROS.
- O que queres fazer hoje?
- ...
- Vamos ao cinema? Já não vamos há muito.
- (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Pelo menos reage. Pelo menos existe: mostra que estás vivo, que queres ou que não queres. Pelo menos, reage.

 - Não te sinto aqui.

 - Mas estou.

 - Mas porque será que não te sinto aqui?

 - (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Um amor que não reage é um amor parado. E o que está parado fica deteriorado, decomposto. A cair aos pedaços. Já todos o sabem. Menos tu.

 

 - Não te sinto aqui.

 - ...

 - Tenho saudades de nós.

 - (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Só tu pareces não saber que parar, até num amor, é mesmo morrer. Pareces continuar nesse deixa-andar, nesse mais-ou-menos que não consegues deixar de viver.

 

 - Gostava de quando ansiavas por mim: de quando me procuravas a toda a hora.

 - ...

 - Preciso desse tu para voltar a ser eu. Preciso de nós em mim.

 - (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Há uma pessoa a menos a cada mais-ou-menos que vivemos. Viver é acrescentar: sempre acrescentar. Uma vida que não acrescenta todos os dias é uma vida que se subtrai todos os dias.

 

 - Não sei quem és. Já não sei quem és.

 - Sou a mesma pessoa de sempre. A tua pessoa.

 - Não és. E nem eu sei quem sou quando te vejo assim.

 - (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Um amor sem nervo não. Um amor sem tesão não. Um amor só porque precisas de um colo não. Não quero ser só o teu colo; quero ser também o que te tira do colo e te obriga a arfar, a atrever, a pisar o risco. Um amor que não arrisca é um amor riscado: eliminado.

 

 - Quando chegares posso muito bem não estar.

 - Deixa-te de brincadeiras.

 - Estava a brincar. Na verdade vou sair mesmo quando estiveres aqui. Nem preciso que vás para eu ir.

 - (ombros encolhidos)

 

Não. Isso não.

Vou tomar as rédeas da minha vida e deixar de a agregar à tua. Amar é também, muitas vezes, desistir de um amor. Desistir é muitas vezes o maior acto de coragem que podes empreender.

 

 - ...

 - Onde estás?

 - ...

 - Foste mesmo?

 

Sim. Isto sim.

Agora apanha-me se quiseres. E sobretudo se eu quiser.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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