Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Como F**er um casamento?

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Como F**er um casamento? 8. Ver o outro à nossa imagem

Queria passar pelos dias à procura de te conhecer. Mas temo já saber tudo o que podes ser — o que quer dizer que se calhar já sei tudo sobre o que podemos ser.
29 de novembro de 2019 às 00:00
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Como F**er um casamento? 8. Ver o outro à nossa imagem

Queria tanto não saber tudo de ti.

Pode parecer estranho, mas é assim.

Queria tanto não saber tudo de ti.

Preferia que fosses, que continuasses a ser, aquele ser encoberto, aqui e ali, por algum nevoeiro.

O nevoeiro às vezes faz falta a uma relação: no meio do nevoeiro todos somos capazes de ver o que queremos ver.

Queria tanto não saber tudo de ti.

Queria passar pelos dias à procura de te conhecer. Mas temo já saber tudo o que podes ser — o que quer dizer que se calhar já sei tudo sobre o que podemos ser.

Uma relação em que ambos sabem tudo sobre o que o outro pode ser dificilmente pode ser.

O amor precisa de espaços em branco. E é assim que vai avançando: à procura de os preencher — e fatalmente nunca os preenchendo.

O que é fatal para o amor não é a presença de espaços vazios; é a sua ausência. Porque o amor para caminhar precisa de espaço: precisa de sentir que está a conquistar, que está a avançar.

Um amor sem mistério é um amor parado: a caminho da podridão.

Viver é movimento, como amar é movimento. E a magia de estar vivo, como a magia de amar, é a magia de não saber o que escondem as portas, e as janelas, e os buracos das fechaduras, e não saber o que será amanhã, e depois, e depois.

E depois?

Se soubesse tudo o que me vai acontecer até ao final da vida, a minha vida estava acabada.

Preciso de zonas cinzentas, de talvez, de será que?, de não saber todas as respostas e muito menos todas as perguntas.

A felicidade não é ter tudo; a felicidade é sentir tudo.

Sinto muito, mas não te sinto já como te sentia. Não é que não te ame. Nada disso. Continuas a ser o homem da minha vida mas já não sei se és tu o homem de todas as minhas vidas.

Porque precisava de menos de ti. Isso: precisava de menos de ti.

Às vezes o amor ganha tanto em dar-se menos um pouco, em deixar encantos por mostrar, esquinas por pisar, sabores por provar.

A vida, e o amor, é feita da capacidade de equilibrar os sabores que se provam e os sabores que se querem provar.

Amo profundamente todos os sabores que provo em ti. Mas gostaria de amar também todos os sabores que gostava de conhecer em ti.

O amor só é real quando tem em si, sempre, fantasias por conhecer. O amor só é real quando tem em si, sempre, realidades por descodificar.

Porque raios tiveste de estragar todas as minhas?

 

*

 

Porque raios te escondes tanto quando te preciso toda?

Por onde andas? Quem és?

Não suporto não saber tudo o que pensas, tudo o que sentes. E eu que me dou todo, todo, a ti. Eu que te digo tudo, que te procuro para tudo, que te entrego tudo.

Porque insistes em ser esse mistério constante? Porque te cobres e não me deixas ver-te como és?

Preciso de entender o que estamos a fazer, de que matéria é feito este nosso amor.

Preciso de um amor que consiga tocar, de um amor que por mais que voe esteja com os pés no chão.

Preciso de um amor com todas as dimensões, com todas as arestas à vista.

Um amor com arestas escondidas pode cortar, pode ferir.

Há arestas escondidas que matam pessoas: porque não hão-de matar amores também?

Não te protejas: ao protegeres-te assim estás a desproteger o amor. Estás a expor o amor.

Estamos juntos há tantos anos e ainda há tanto que tenho por saber de ti. E não sei se aguento. Não sei se consigo aguentar.

E tu foges. Continuas a fugir. Continuas a ser a mulher-enigma, a mulher-névoa. Estás constantemente atrás de uma nuvem que nunca consegui limpar.

O amor dificilmente resiste a uma nuvem que nunca se consegue limpar.

Não deixes o nosso ir assim, por ausência de tentativa.

O amor dificilmente resiste à ausência de tentativa.

Vem. Não te escondas de mim. Não procures escapar-te de ti ao não quereres mostrar-te a mim. Só assim o que nos une conseguirá escapar.

Pensa nisso, sim?

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