Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas Dicionário do amor

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Quotidiano

Quotidiano: s.m.: Medidor infalível do que sentes. Só o que amas resiste a todos os dias.
05 de junho de 2018 às 12:00
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Quotidiano

Gosto da maneira como me mudas a vida.

Antes de ti era um homem apaixonado; agora sou um homem avassalado, consumido, colonizado. Prendo-me a ti e sou livre, será que me entendes?

A grande liberdade é a de quem está preso a um amor que não passa.

Se é amor não passa, verdade seja dita.

Não és sequer uma pessoa como as outras: ama-se sempre quem não é como os outros. É essa, aliás, uma boa maneira de definir o amor: olhar para alguém e vê-lo como uma pessoa diferente de todas as outras.

Todos os amores são iguais na capacidade de nos tornarem diferentes a cada instante que o vivemos.

 

     Quando me abraças a dor espalha-se, primeiro, e depois dilui-se.

     O amor espalha a dor e depois apaga-a.

     E ainda assim dói. Amar dói.

     E depois deixa de doer.

     Ama-se para apagar a dor que amar provoca.

     Quem nunca amou nunca sofreu.

     Por mais que acredite que sim.

     E quem nunca amou nunca se salvou do que dói.

     Vai doendo.

     Isso: quem nunca amou vai doendo.

     E nunca se salva da dor e nunca sente a dor. É uma quase-dor-quase-salvação-da-dor.

     Um limbo em que não falta nada.

     E em que falta tudo.

     Faltando-nos o amor falta-nos tudo, não é?

     Pode faltar-nos tudo que basta termos o amor para termos tudo.

 

Nós temos. Quando te olho continuo a não conseguir ver-te. Vejo uma espécie de ti. Vejo-me em ti.

Amar é vermo-nos quando vemos o outro. Amar é perceber que somos com o outro, e nunca além ou aquém do outro.

 

     Ama-me para me tornares imortal.

 

E eu amo.

E assim vivo.

 

Quotidiano: s.m.: Momento que, apesar de repetitivo, nunca se repete. Amar é construir uma rotina que é diferente todos os dias sem deixar de se repetir todos os dias.

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