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Pedro Chagas Freitas
Pedro Chagas Freitas

Notícia

Razão

Razão: s.f.: Aquilo que, muitas vezes, perdemos para tentarmos ter: há tanto quem perca a razão para ter razão, que estupidez.
19 de junho de 2018 às 18:36
...
crianças, teatro, índios

Volto a respirar se me deres a máscara do Homem-Aranha,

a criança no meio da festa,

ó senhor de Matosinhos, ó senhora da Boa Hora,

e parece que não respira, está no meio do chão, como se não pudesse respirar,

a mãe com as mãos no coração, o pai com as mãos na cabeça,

respira, filho, respira,

e a criança alguns segundos de nada, de vazio,

acorda, filho,

acorda, filho,

e de repente as palavras mágicas, os olhos abertos,

volto a respirar se me deres a máscara do Homem-Aranha,

o alívio da mãe,

ai, meu amor, que me matas do coração,

o alívio do pai,

ai, meu desgraçado, que acabas comigo,

e a pergunta do menino continua viva,

dão-me a máscara do Homem-Aranha ou não?,

e ao pai apetece rir mas não ri,

não voltes a fazer-nos isso, ouviste bem?,

e à mãe apetece chorar e depois rir mas não chora nem depois ri,

que seja a última vez, Luís Gustavo, que seja a última vez,

a criança não percebe,

só quis passar uma mensagem, fazer passar um ponto de vista,

dás-me ou não a máscara do Homem-Aranha?,

o pai corre-o com a ameaça de uma palmada,

a mãe dá um berro,

não, que é para aprenderes,

e quando regressam a casa não há máscara nenhuma nem festa nenhuma,

é a máscara mais espectacular de sempre, não é, pai?,

é a máscara mais espectacular de sempre, não é, mãe?,

passaram uns dias e finalmente a máscara,

volto a respirar se me deres um beijo,

disse-me ele agora,

e é claro que vou dizer que não,

vai-me apetecer rir e depois chorar,

ou chorar e depois rir,

não vou fazer nada disso,

vou continuar séria,

sou uma rapariga séria, ora essa,

e dizer-lhe que não, era o que faltava agora, um beijo assim, sem mais nem menos,

e talvez amanhã,

ou no máximo depois de amanhã,

sim,

o beijo,

sim,

só não garanto que depois do beijo que te vou dar a tua respiração volte,

e muito menos a minha,

lamento.

 

Razão: s.f.: Aquilo que, por mais que os intelectuais o procurem pateticamente mascarar, não é, nunca é, a nossa razão de viver.

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