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Entrevista exclusiva

Juliana Cavalcanti: bom gosto com sotaque do Brasil

Consultora de comunicação estreou-se como designer de moda e lançou JUU, uma coleção de roupa feminina desenhada à sua imagem.
Por Ana Cristina Esteveira | 04 de janeiro de 2017 às 13:58
Juliana Cavalcanti de consultora de comunicação a designer de moda
Juliana Cavalcanti
Juliana Cavalcanti
Juliana Cavalcanti
Juliana Cavalcanti
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Juliana Cavalcanti é uma mulher determinada que não se deixa intimidar na hora de perseguir os seus objetivos. Desenhar roupa era um sonho antigo ao qual conseguiu dar corpo. Admite ter sido uma dura batalha, mas altamente satisfatória.

Era inevitável que o seu percurso profissional passasse pelo lançamento de uma coleção de roupa?
Acho que apanhei todos de surpresa com esta nova aventura. Desde criança que gosto de desenhar e criar, mas sempre tive muito medo da pressão e da obrigatoriedade de ser criativa. Por isso, pus de lado esse sonho de ser designer e, diga-se continuo a não ser designer.

É o quê, então?
Sou uma curadora que rabisca e que tem uma pessoa que faz a parte técnica, a modelagem. Sempre trabalhei na área de comunicação empresarial e marketing, mas quando me tornei freelancer um dos meus clientes foram umas angolanas que me pediram para fazer uma coleção de uma marca nova. Aceite e esse trabalho deu-me tanto prazer e resultou tão bem que reacendeu em mim a paixão por criar. Isto aconteceu há dois anos, mas ainda assim continuei a trabalhar e fui para Londres. Como não estava feliz com o que estava a fazer, acabei por começar a pensar qual tinha sido o momento da minha vida em 2que me tinha sentido mais realizada. Cheguei à conclusão que foi quando tinha criado a coleção para as minhas clientes angolanas.

Foi a aí que se decidiu?
Foi, pois há já algum tempo que não tinha um emprego fixo e estava na hora de ter uma coisa só minha. Confio muito em mim e nas minhas capacidades profissionais.

E como chegou a este tipo de roupa despojada que caracteriza a sua marca?
Percebi que as roupas de que mais gosto, clean, simples e elegantes, são difíceis de encontrar à venda e quando encontro, são caríssimas, por exemplo as criações da Victoria Beckham. Foi aí que me surgiu a ideia de meter mãos à obra e fazer roupa com a qual me identifico. Além disso, queria algo muito prático, uma peça só como é o caso dos vestidos e dos macacões, as minhas peças preferidas. Este é o conceito da minha coleção, ‘One Piece Only’. Além disso, tem um plus: usar uma peça de manhã à noite, ou seja, fica bem para ir trabalhar como fica bem para sair para um jantar.

É preciso ter dinheiro para pôr um sonho desses de pé.
É preciso dinheiro e eu não o tinha. Mas sou daquelas pessoas que confia muito na vida e, por isso, não me deixei desanimar. Quando se quer muito uma coisa, quando a visualizamos na nossa cabeça a verdade é que isso acaba por acontecer. Primeiro, transpus para o papel as minhas ideias e depois fui à procura de pessoas que me pudessem ajudar a concretizar o meu sonho. Agora veja as voltas da vida: encontrei-me com uma amiga, bem, nem sequer é minha amiga é uma pessoa de quem gosto mais não somos íntimas. Contei-lhe o que andava a fazer e ela falou-me de alguém que ele conhece que poderia ser meu investidor. E foi assim, do nada consegui um investidor.

Já está a trabalhar na segunda coleção?
Acabei de lançar uma e já estou a ultimar a seguinte que vai sair em fevereiro. Isto é de doidos, mas está a ser tão estimulante.

Em que é que se inspira?
Em tudo o que me rodeia. Absorvo tudo o que é imagem.

Também se ocupa da escolha dos tecidos e da produção?
Isso é tudo uma área nova para mim e, por isso, ainda mais desafiante. Quanto aos tecidos optei pelos nacionais. Fui para a zona de Famalicão e embrenhei-me por lá nas fábricas. Hoje, tenho quatro fornecedores diferentes e tenho um atelier que faz os protótipos e são eles que enviam para a fábrica. Tenho também uma modelista para fazer a modelagem.

A escolha do nome foi complicada?
Isso foi outro desafio. No início, não consegui chegar a um nome que me agradasse. Depois, tanto o meu sócio como a agência que fez o branding, ajudaram-me nessa tarefa. Eu opunha-me a pôr o meu nome, por achar ser muito pretensioso. Mas acabaram por me convencer de que a história fica melhor contada se tiver uma identidade. De facto, as pessoas identificam-se mais com as marcas que têm identidades. Assim, em vez de Juliana Cavalcanti, acabei por me decidir por Ju, que é como os meus amigos me tratam. O outro ‘u’ é acrescentado porque eu queria três letras.

Afinal não é assim tão fácil concretizar um sonho.
Mesmo nada, pois há uma imensidão de coisas. Eu reconheço que tive muita sorte ao ter junto de mim pessoas que se apaixonaram por este projeto e me ajudaram a concretizá-lo. Encontrei pessoas muito especiais neste meu caminho.

Já tem alguns pontos de venda?
Maioritariamente as vendas são feitas online, mas como as pessoas gostam de experimentar tenho um showroom, em Lisboa. Depois, há algumas lojas multimarcas que vendem Juu.    

Está a pensar internacionalizar a marca?
É um projeto mas temos de ir com cuidado. O meu sócio, que tem uma outra marca de moda, está muito focado nisso. Em fevereiro vamos já tentar uma feira internacional com o mostruário do próximo inverno.

No futuro, gostaria de apresentar o seu trabalho em certames como a ModaLisboa e o Portugal Fashion?
Penso que esse não será o meu caminho. Os criadores são artistas cheios de criatividade. Eu não sou criadora, sou apenas uma curadora. O que faço melhor é absorver o que há por aí e traduzir isso em peças com algum toque especial, mas ao mesmo tempo comercial. O que eu quero é vender para que as pessoas se sintam lindas. No fundo, o que quero é ser uma marca.

Alguma vez imaginou que a sua vida teria este rumo?
De todo, mas o interessante é isso mesmo. Nunca fiz muitos planos na vida. Deixo as coisas acontecerem.

Tem dado prioridade à carreira. Casamento e família não fazem parte dos seus planos de vida?
Quero muito e vai acontecer. Sou muito discreta quanto à minha vida pessoal, mas é claro que há espaço para ela. Ainda não há planos de casamento, mas tenho a certeza que esse dia acontecerá.

É uma mulher feliz?
Também tenho dificuldades na vida, mas sou muito feliz. Batalho muito, tenho momentos menos bons, mas na base sou feliz.

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