'

Notícia

Planeta

A operação biquíni morreu! Afinal o que mudou nas mulheres em 2021?

A alteração dos cânones de beleza femininos trouxe uma maior inclusão e também uma menor preocupação com manter uma ideia menos saudável de ideal físico na altura do verão.
Por Afonso Coelho | 15 de junho de 2021 às 18:35
Confira as mais famosas modelos 'plus size'
Ashley Graham
Kate Wasley
Tara Lynn
Barbie Ferreira
Tess Holliday
Denise Bidot
Fluvia Lacerda
Tabria Majors
Lexi Placourakis
Ashley Graham
Kate Wasley
Tara Lynn
Barbie Ferreira
Tess Holliday
Denise Bidot
Fluvia Lacerda
Tabria Majors
Lexi Placourakis

Em 1665 é lançado (supõe-se que por Jean L’Ange) em Paris o livro ‘L’École des Filles ou la Philosophie des Dames’, considerado um dos primeiros romances eróticos da literatura francesa – Frédéric Lachèvre, um especialista na literatura libertina considerou-o "o primeiro espécime dos livros deliberadamente obscenos em francês". Nele, uma obra que foi censurada pela deviação premeditada daquilo que eram considerados os bons costumes da época, surge uma passagem que descreve como deveria ser uma mulher que quisesse ser considerada ‘sexy’ na altura: "Deverá ser uma jovem de 17 ou 18 anos, roliça, ligeiramente inclinada para gorda, de boa estatura e aparência majestosa", começa por indicar, antes de especificar uma condição quase que zenital de cada característica, entre as bochechas, a boca, e tudo mais.

Isto para dizer que, naturalmente, os cânones de beleza não são obra da contemporaneidade, e que a sua progressão ou alteração sempre existiu, dependendo do contexto social e histórico da época. Hoje, batalha-se por uma maior inclusão após uma era em que a indústria da moda se cingiu a um ideal, o ideal "34-24-34" - ou, se preferirmos, 86-60-86 - que deixava pouco espaço de manobra para quem não desejava conformar-se a um conjunto único e discriminatório de medidas.

Rita Pereira revela fotos sem filtros, ao natural
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira
Rita Pereira

Nos últimos tempos, surgiram, como alternativa, as ‘plus-size models’ com maior protagonismo nas capas de revista. Uma delas, Tess Holliday, apareceu na capa da Cosmopolitan após tornar-se uma figura reconhecida do movimento nas redes sociais, o que levou a um sentimento de mudança real naquela que é denominado a ‘body positivty’, ou positivismo corporal, em português. Uma linha de pensamento que tem sido defendida também aqui em Portugal, dentro de portas, por personalidades como, por exemplo, Carolina Deslandes. Diga-se, todavia, que, historicamente, existiram períodos onde os corpos mais redondos eram considerados como próximos a esse cânone, pela sua representação da fertilidade: na Grécia Antiga, Afrodite, a Deusa do amor e beleza era frequentemente desenhada com curvas.

Existe ainda quem pense que a utilização de modelos ‘plus-size’ como existe hoje, não seja uma solução para o aumentar da positividade corporal. Escreveu Elizabeth Harrington no ‘The Photo Studio’ que apesar de ser um bom sinal para a ideia de inclusão, "se as modelos ‘plus-size’ têm de encaixar num grupo de critérios restritos para serem bem-sucedidas nesta indústria, então é justo dizer que a indústria não é assim tão corporalmente positiva como parece." Nicola Dall’asen na ‘Allure’ argumenta que ainda há muito caminho a ser percorrido e concorda com a ideia supramencionada: "Mesmo quando pessoas gordas estão representadas na beleza, são encorajadas a aderir a um tipo de ‘look’ aspiracional, um que ainda leva a que as pessoas tenham de aderir a um standard de beleza rígido e para muitos impossível."

A carregar o vídeo ...
Carolina Deslandes faz discurso de lingerie na casa de banho sobre o corpo: 'Preocupem-se com a vossa cabecinha'

Finalmente, na passada sexta-feira, foi publicado um manifesto pela revista TELVA, uma das mais reconhecidas publicações dedicadas ao público feminino em Espanha. No subtítulo encontra-se a seguinte frase, "a operação biquíni morreu". E morreu porque, segundo a publicação, não é saudável a criação de uma guerra das mulheres contra si mesmas que cause "ansiedade" ou "problemas de auto-estima".

Para a TELVA, a luta deve ser pelo estabelecimento de cânones de beleza que promovam um estilo de vida saudável, com alimentação consciente. Conclui no texto o psiquiatra Miguel Álvarez de Mon que a operação biquíni pode mesmo ser nefasta para a saúde: "Fazer dietas durante a adolescência pode ser um fator de risco para desenvolver alterações de conduta alimentar no futuro e muitas das metas traçadas que se tornam virais pretendem promover silhuetas prejudiciais, por refletirem magreza extrema."

Vai gostar de

você vai gostar de...

Newsletter

Newsletter

Subscreva a newsletter e receba diariamente todas as noticias de forma confortável
Subscrever