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Cavaleira Ana Rita: a mulher guerreira a quem roubaram a infância

Natural de Vila Franca de Xira e criada em Aveiras de Cima, Ana Rita, 33 anos de idade, desde muito jovem que acalentou o sonho de ser cavaleira tauromáquica. Com uma "infância muito triste", "nunca soube o que foi ser criança". Vítima de violência pelo pai, foi obrigada a recomeçar do zero sem nunca desistir do sonho. O amor pelos cavalos salvou-a. É figura do toureio em Espanha perante as ganadarias mais difíceis mas em Portugal fica de fora de muitas corridas e aponta o dedo aos empresários e aos colegas de profissão que pagam para tourear.
Hélder Ramalho
Hélder Ramalho
30 de junho de 2022 às 22:36
Ana Rita: "Devo muito aos cavalos porque a minha infância não foi fácil e eles guiaram-me na direção certa"
Ana Rita monta o cavalo Ozil, de pelagem Isabel, e é acompanhada pelo fiel Apollo. Fotografada junto ao Palácio da Rainha, Vala Real, Azambuja.
Cavaleira Ana Rita com o cavalo Ozil, no Palácio da Rainha, Azambuja
Ana Rita com Ozil no Palácio da Rainha, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita com o cavalo Náutico junto à Vala Real, na Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita é cavaleira tauromáquica há 19 anos e tem alcançado grandes triunfos em Espanha
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita monta o cavalo Náutico junto à Vala Real, na Azambuja, acompanhada de perto pelo fiel Apollo.
Ana Rita monta o cavalo Náutico junto à Vala Real, na Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Cavaleira tauromáquica Ana Rita fotografada junto ao Palácio da Rainha, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
A cavaleira tauromáquica Ana Rita com o Náutico fografada junto à Vala Real, na Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira Tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Ana Rita, cavaleira tauromáquica, Azambuja
Qual era o seu sonho de menina?
Essa é uma pergunta muito fácil de responder: o meu sonho de menina sempre foi o de ser cavaleira tauromáquica.

Vinda de uma família sem ligações à tauromaquia, como despertou esse desejo de ser cavaleira?
Desde que me lembro sempre tive um cavalo em casa e sempre foi a minha paixão. Quando ia ver as corridas tudo me fascinava: a música, as palmas, os trajes, os cavalos, os cavaleiros a lidar o toiro; e sempre dizia que um dia seria eu a estar ali naquele mesmo lugar a ser aplaudida por esse público maravilhoso, sabia que era um sonho quase impossível mas na minha cabeça, com a minha fé, poucas coisas são impossíveis. Temos de acreditar, ter fé que chegaremos lá. O sonho comanda a vida e temos de acreditar nos nossos sonhos e lutar para conseguir realizá-los.

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Cavaleira Ana Rita com o cavalo Ozil, no Palácio da Rainha, Azambuja Foto: Liliana Pereira
INFÂNCIA "MUITO TRISTE" MARCADA PELA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

Toureou pela primeira vez em 2003, com 14 anos. Uma menina ainda. O que deixou para trás da sua infância e adolescência para se dedicar a esta profissão?
Toda a minha infância ficou para trás. Tudo o que via e não via baseava-se nos cavalos. Saía da escola e ia diretamente para o centro hípico para aprender a montar. Era aí que me sentia feliz. Devo muito aos cavalos porque a minha infância não foi fácil e eles guiaram-me na direção certa. Desde criança sempre fui muito teimosa. Tinha sempre a certeza do que queria e que este era o meu caminho. Abdiquei da infância e da minha juventude e não me arrependo de nada. Voltaria a fazê-lo de novo. Comecei a aprender a montar no centro hípico lebreiro de Azambuja desde muito cedo quando atingi mais idade vi que ali já não me podiam ajudar a realizar o meu sonho, nesse mesmo centro hípico ganhei amizade com o Joaquim Oliveira, éramos pequenos quando ele me disse que o tio era cavaleiro tauromáquico. Não descansei até chegar a ele e consegui. É, até hoje, o meu mestre. Foi ele e a sua família que me ajudaram a realizar o meu sonho. Sem eles teria sido impossível. Fui para a casa do meu mestre com 13 anos de idade e passados dois meses de cumprir os 14 anos ele viu que eu estava preparada para me levar à prova de fogo. No dia 31 de maio, em São Francisco (Alcochete), vi que era realmente isto que queria para mim. Este ano cumpro 19 anos de toureio e 11 de alternativa. Tenho muito a agradecer a esta familia: o senhor Filipe, infelizmente já falecido, irmão do meu mestre Manuel Jorge de Oliveira, era como um pai para mim. A sua mulher costumava dizer: "lá vai o pai acompanhar a filha para todas as corridas". Ela também ia com ele apoiar-me sempre que podia. Dói-me o coração ao recordar, são muitas as saudades dos seus conselhos. Tenho uma frase que nunca mais me saiu da cabeça que o senhor Filipe me disse: "Rita está na hora de ganhares asas e voares. Já não te poderei acompanhar a todas as corridas mas tu já consegues pensar sozinha, já estás preparada para seguir o teu caminho sem eu estar sempre presente." Assim foi e eu passei a ir sozinha sem estar há espera de que me dissessem que cavalo sacar ou o que fazer. Deu-me muito traquejo, muito desembaraço. O senhor Manuel Jorge de Oliveira tem uma vida muito preenchida com o seu projeto na Alemanha e também deixou de poder acompanhar-me tanto, vai a algumas corridas mas poucas. Vamos preparando tudo sempre que ele está na quinta e limamos pormenores que depois são muito importantes em praça.

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Cavaleira Ana Rita, Palácio da Rainha, Vala Real, Azambuja Foto: Liliana Pereira
"Tive uma infância muito triste, nunca fui uma criança feliz, não soube o que foi ser criança. O meu refúgio e a minha alegria era quando estava com os cavalos, com eles sentia-me livre, feliz, em paz. Sofria maus tratos físicos e psicológicos por parte do meu pai. Via em casa todos os dias o que era a violência doméstica."

Diz que não teve uma infância fácil. Porquê?

Tive uma infância muito triste, nunca fui uma criança feliz, não soube o que foi ser criança. Na escola não tinha muitos amigos. O meu refúgio e a minha alegria era quando estava com os cavalos, com eles sentia-me livre, feliz, em paz. Sofria maus tratos físicos e psicológicos por parte do meu pai. Não tinha uma família estruturada. Via em casa todos os dias o que era a violência doméstica. A minha mãe, mesmo com todas as dificuldades e sofrimento, nunca nos abandonou. É uma grande mãe a quem eu devo muito. Na minha carreira, ela tinha muito medo por mim e não queria que eu seguisse este sonho e não tinha condições para ajudar mas, mesmo com esse medo, ela está cá a apoiar-me. Herdei dela a força que tenho para superar todos os meus obstáculos, a força que tenho para seguir em frente e realizar todos os meus sonhos. No início da minha carreira, o meu pai ajudou-me a alcançar o meu sonho. Depois da separação tudo mudou e o meu sonho virou pesadelo porque tudo o que tinha conquistado foi-me tirado, tive de começar do zero. Antes magoava-me muito relembrar este passado mas agora dá-me força e sinto orgulho por ser quem sou, por ver a mulher em que me tornei.

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Ana Rita com Ozil no Palácio da Rainha, Azambuja Foto: Liliana Pereira
Alguma vez desejou ser outra coisa?
Nunca desejei ser outra coisa. Tem sido um trajeto muito duro por não ter família abastada, por não ser de dinastia [taurina] criei o meu nome a pulso com muito trabalho, esforço e dedicação.

"TENHO A VIDA QUE EU QUIS, NEM SEMPRE FELIZ MAS FOI A VIDA QUE EU ESCOLHI"

Apesar dos problemas com o seu pai, contou sempre com o apoio da sua família?
Costuma-se dizer que família não se escolhe mas eu mais tarde escolhi a minha. Família são aqueles que estão lá todos os dias para mim nos bons e nos maus momentos. A minha equipa é a minha grande família, percorre milhares de quilómetros comigo para me ajudar a realizar os meus sonhos, os meus objetivos. Está lá para mim quando fracasso e quando triunfo. Chora e ri comigo, o meu triunfo é o triunfo dela. Somos uma equipa muito unida. Agradeço a Deus pela mãe que tenho. Não me pode acompanhar nesta vida que escolhi mas está sempre lá para mim. O meu namorado que luta comigo diariamente para eu triunfar, a minha cunhada Sofia que para mim é como uma irmã, o meu cunhado, a minha sogra, os meus irmãos, aquelas pessoas com quem estamos meses sem ver e que reclamam muito por isso, mas foi a vida que eu escolhi como a canção do Tony Carreira: tenho a vida que eu quis, nem sempre feliz mas foi a vida que eu escolhi.

"Tenho de ter uma mente muito forte, nunca posso demonstrar fragilidade, sei que vou ter sempre muitos obstáculos, muitas invejas no meu caminho, sinto tudo isso na pele, nunca poderei baixar a cabeça."

Quais foram as maiores dificuldades para vingar e tornar-se cavaleira?
As dificuldades são muitas. Só pelo simples facto de não seres abastada de dinheiro, nem seres de dinastia tens de trabalhar o triplo para conseguir o teu lugar. Aparece uma menina chamada Ana Rita do nada e, com o seu trabalho esforço e dedicação, começa a criar o seu próprio nome, a traçar o seu caminho. Tenho de ter uma mente muito forte, nunca posso demonstrar fragilidade, sei que vou ter sempre muitos obstáculos, muitas invejas no meu caminho, sinto tudo isso na pele, nunca poderei baixar a cabeça. Seguirei sempre o meu caminho pelos meus princípios e mesmo aquelas pessoas que me querem mal não lhes desejo mal porque não gosto de pagar com a mesma moeda. Tenho muita fé e sei que, pelo caminho que levo, irei vencer sempre.

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Ana Rita com o cavalo Náutico junto à Vala Real, na Azambuja Foto: Liliana Pereira
Este é um trabalho duro, intenso. Quantas horas passa por dia a preparar os cavalos?
Não o vejo como um trabalho, para mim é a minha paixão, tenho a sorte de fazer o que gosto. Durmo a pensar nos cavalos, acordo a pensar nos cavalos. Estar na quinta não é só a preparação dos meus cavalos, é o estar junto deles, o cuidar deles. Olho para os meus cavalos e sei se estão bem ou não, só com um olhar, como uma mãe olha para um filho. Sou muito protetora dos meus animais. O pior que me pode acontecer é quando estão doentes, fico doente com eles. Chego sempre à quinta primeiro que toda a gente. Antes de chegarem os tratadores já estou eu ali, fico as horas que forem precisas. Posso ter os meus cavalos trabalhados às duas da tarde como às 10 da noite, tudo depende se vou tourear vacas, se só os vou montar mas são 24 horas de dedicação.

Isso permite-lhe fazer mais alguma coisa? Como passa os seus tempos livres e que outros gostos tem para além dos cavalos e das corridas?
Os meus tempos livres são poucos mas os que tenho tento aproveitar com a família e os amigos, nem que seja um jantar a fugir. Reclamam sempre que não tenho tempo para eles mas esta vida é assim: tens de estar muito dedicada à tua profissão e, sempre que estou com eles, o assunto é cavalos, não sei falar de outra coisa, é o meu mundo.

Ser mulher é uma forma diferente de estar na tauromaquia?
A mulher já vem há alguns anos a afirmar-se em vários sectores perante a sociedade e ainda bem que assim é. E na tauromaquia não é exceção. No meu ponto de vista, a mulher vem trazer beleza, sensibilidade e frescura à tauromaquia, um toque especial que faz falta em qualquer arte e em qualquer espetáculo.

Alguma vez se sentiu discriminada por ser mulher num mundo de homens?
Não, nunca senti isso. Muito pelo contrário, sempre me apoiaram.

O SUCESSO EM ESPANHA E OS CARTÉIS "VICIADOS" EM PORTUGAL

Toureia muito em Espanha, com vário triunfos, e pouco em Portugal. Porquê?
Foi no dia da minha alternativa, uma noite mágica – agradeço até hoje à doutora Ana Freixo, nessa altura diretora da Casa do Pessoal da RTP, e ao meu então apoderado Maurício do Vale –, o sonho de menina tornado realidade, que surgiu a oportunidade de Espanha através dessa corria RTP. Um empresário espanhol viu a corrida através da televisão e adorou. No dia seguinte estava em Portugal para apoderar-me. E assim foi. De início, só queria tourear em Portugal, era o meu País. Hoje, olho para trás e agradeço a Deus esse senhor Francisco Cáceres ter aparecido na minha vida. Foi meu apoderado durante sete temporadas e se eu não fosse para Espanha já tinha terminado a minha carreira porque as despesas são muitas e se ficasse em Portugal não conseguiria seguir em frente. Infelizmente poucos são os empresários que pagam o nosso cachet por inteiro. Para mim assim é impossível.

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Ana Rita com o cavalo Náutico junto à Vala Real, na Azambuja Foto: Liliana Pereira
É mais fácil ou mais difícil tourear nas praças espanholas?
É diferente. Em Espanha posso ter uma lide brilhante mas se não dou uma morte digna ao toiro perco os troféus e ali são muito importantes os troféus e as Portas Grandes; se não tens não vale a pena andar ali. Portugal, para mim, é mais fácil. Não tens a preocupação da sorte suprema, tens sim de tourear bem.

"Em Portugal, é impossível para mim estar em mais cartéis porque há colegas que vão de borla, outros que pagam para tourear e outros que levam o seu próprio toiro. Já são poucos os que cobram para tourear."

Sente-se injustiçada no seu País?
Não me sinto injustiçada, sinto-me triste. Amo o meu País e por todos os países que vou elevo a bandeira de Portugal. Faço também espetáculos equestres na Alemanha a levar o nome de Portugal e do cavalo lusitano. Em Portugal, é impossível para mim estar em mais cartéis porque há colegas que vão de borla, outros que pagam para tourear e outros que levam o seu próprio toiro. Já são poucos os que cobram para tourear.

O que falta então para atuar mais vezes cá?
Simplesmente que paguem o meu cachet porque levo uma equipa de 10 pessoas comigo e gosto de chegar ao final de cada corrida e saber que o dinheiro está aí para cada um receber o seu ordenado. Para mim, o ordenado de cada pessoa da minha equipa é sagrado e não pode faltar.

Como vê o futuro das corridas de toiros em Portugal?
Muita coisa tem de mudar. Não precisamos dos "anti" [taurinos] na festa porque já os temos dentro da festa. Se os empresários continuarem a aceitar esses cavaleiros que pagam para tourear e os outros que levam o seu toiro, isso vai denegrir a festa cada vez mais. Temos de nos unir para clarificar as coisas e pôr de fora quem está a ameaçar a festa.

O MAIOR SUSTO E A VONTADE TEIMOSA DE RECUPERAR DEPRESSA

Em 2013 sofreu uma grave colhida no Cartaxo, que a obrigou a uma paragem de quatro meses. Mentalmente, como se recupera de um acidente como aquele?
É uma data que não gosto de recordar, perdi 20 corridas. Tínhamos o camião a postos para sair e no último ferro tive a colhida. Fiquei um mês internada no hospital de Santarém onde fui muito bem tratada por todos os médicos, auxiliares, enfermeiras. Agradeço a todos todo o carinho que tiveram comigo. O médico disse que a recuperação seria lenta e que não poderia tourear na temporada seguinte. Eu, teimosa como sempre, disse que ficaria boa rapidamente e que na próxima temporada ia tourear. Estive um mês internada por fratura na bacia em três sítios e uma hemorragia hepática que era o mais preocupante. Não me podia mexer, foi um mês muito duro. Mas passado esse mês fui para casa e em três meses, com muita fisioterapia e cuidado, comecei a montar e, na abertura da temporada, passados apenas sete meses, reapareci. Mentalmente, só pensava no dia de voltar a pisar uma arena e numa tarde muito bonita e importante para mim.

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Cavaleira tauromáquica Ana Rita fotografada junto ao Palácio da Rainha, Azambuja Foto: Liliana Pereira
Foi o maior susto que teve na sua carreira?
Já tive mais. É uma profissão de risco. Mas, sem dúvida, esta foi o pior de todos.

Os objetivos para o futuro da Ana Rita, mulher, e os da Ana Rita, cavaleira, são os mesmos?
Tudo gira em torno da Ana Rita cavaleira. Ana Rita é só uma e o meu objetivo é ser figura máxima do toureio. Como mulher quero sempre ser diferente por isso mudei a estética das minhas casacas, com a ajuda do meu diretor de imagem da altura, Paco Ramirez, e da alfaiataria Justo Algaba, desenhámos uma casaca idêntica às do século XVI em Portugal, mas em vez de saia deixei ficar os calções para ficar mais cómodo para subir para o cavalo.

Como foi enfrentar estes dois anos de pandemia?
Foi duro porque trabalhava igual todos os dias mas sem ilusão porque não sabia quando me permitiam voltar à normalidade. Ainda nesse primeiro ano personalizámos uma coleção de jóias, com o apoio de Kiwapa Joias, que teve um grande sucesso, e ainda fiz sete corridas, uma coisa quase impensável nessa altura. No ano seguinte [2021] já esteve melhor. Fiz 17 corridas e agora esperemos que tudo volte finalmente à normalidade.

UM SONHO CHAMADO PORTA GRANDE DE LAS VENTAS, MADRID

O que espera para este ano?
Este ano já está a ser quase normal. Toureei oito corridas, três delas em Portugal, o que me deixou muito feliz, e tenho mais 20 corridas agendadas em Espanha e outras em negociações. Sinto que vai ser uma temporada muito bonita.

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Ana Rita é cavaleira tauromáquica há 19 anos e tem alcançado grandes triunfos em Espanha Foto: Liliana Pereira
"Levo muitos anos nos primeiros lugares do escalafón espanhol, fazendo gostos todas as tardes, toureando todos os encastes; a primeira mulher do mundo a tourear Vitorinos Martín, a primeira mulher do mundo a tourear José Escolar, a tourear Miuras."

Qual é o seu maior sonho como cavaleira tauromáquica?
Já realizei o mais difícil de todos que foi entrar numa praça e ser cavaleira tauromáquica, conseguir o doutoramento e passados 19 anos manter-me por cá. Não é fácil. Agora, tenho um difícil de alcançar, mas que também que não será impossível, que é tourear em Madrid e sair pela Porta Grande da Praça de Las Ventas. Espero também poder realizá-lo um dia. Sonhar é das coisas mais bonitas na vida. Levo muitos anos nos primeiros lugares do escalafón espanhol, fazendo gostos todas as tardes, toureando todos os encastes; a primeira mulher do mundo a tourear Vitorinos Martín, a primeira mulher do mundo a tourear José Escolar, a tourear Miuras. Nestes últimos cinco anos toureei 103 corridas, cortei 260 orelhas e 23 rabos, tive 85 Portas Grandes. Penso que já tenho direito a essa oportunidade.

Agradecimentos:
Loja Musas, Cartaxo
Móveis Bruxedo, Cartaxo

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