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Mariana Megre: a história da mulher cuja luta contra um cancro uniu os portugueses: "Mudei para melhor"

Tem 40 anos, quatro filhos e muita vontade de viver. A sua possível cura está fora de Portugal e Mariana pediu ajuda aos portugueses para o tratamento que acredita ser a sua "última e única esperança". Em menos de 24 horas conseguiu 57 mil euros, o dinheiro necessário para quatro ciclos deste tratamento. A THE MAG falou com esta mulher que se agarra aos filhos, à meditação e a uma onda de energias positivas que não a deixam desistir.
Carolina Pinto Ferreira
Carolina Pinto Ferreira
28 de outubro de 2021 às 23:14
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Provavelmente já viu a fotografia de Mariana Megre partilhada em várias stories ou contas de Instagram e foi impossível não parar para ler a história desta mulher que perdeu a vergonha e pediu aos portugueses para a ajudarem a continuar a viver. Esta força da natureza tem 40 anos de idade, quatro filhos entre os 10 e os 3 anos e um paixão avassaladora pela vida, que lhe pregou uma das maiores rasteiras: luta contra um cancro de mama triplo negativo metastizado, ou seja, "um cancro que não é hormonal e, por isso, por norma são mais agressivos e mais difíceis de tratar", explica-nos. 

O pedido de ajuda de Mariana surgiu quando estava em Lugano, na Suíça, a fazer um tratamento que não está disponível em Portugal e onde reside a sua "esperança da estabilização da doença e da sua remissão". Segundo nos revela, o seu tipo de cancro é mais difícil de tratar por não ter uma terapia alvo, algo que mudou há um ano, com "a aprovação da FDA deste novo medicamento da farmacêutica Gilead; Trodelvy (sacituzumab govitecan-hziy)." 

Mariana Megre: a mulher que não dá tréguas ao cancro
mariana megre
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"Este medicamento foi aprovado nos Estados Unidos. Há uns tempos que já sabia da existência e falei com a minha médica porque era direcionado ao meu tipo de cancro. Como já tive duas recidivas e já fiz quimioterapia, quando li o que este medicamento fazia percebi que era o que fazia sentido para mim. Mas aqui em Portugal não está disponível e comecei a procurar onde estaria: na Austrália, Canadá, EUA e Suíça e optei pelo mais próximo claro", revela Mariana, que já completou um ciclo, mas que precisava de meios financeiros para fazer, pelo menos mais quatro. Cada ciclo tem um valor de 14 mil euros. 

"Precisava de 57 mil euros. Contabilizámos o valor do tratamento, a ida para a Suíça... este é um tratamento continuo. Nesta angariação que fiz contemplei apenas alguns ciclos porque não sei exatamente quantos é que vou ter que fazer, na verdade nem o médico sabe. Tudo depende da resposta que vou ter ao tratamento, mas pelo menos seis são garantidos." Em menos de 24 horas, com a ajuda de vários famosos e de cidadãos que tornaram viral a história de Mariana, esta conseguiu angariar o dinheiro que precisava. 

Em menos de 24 horas, Mariana conseguiu os 57 mil euros através de um 'crowdfunding'. 

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Fiquei pasmada com esta onda de solidariedade. Para já, nunca achei que fosse assim tão rápido. Em menos de 24 horas consegui o valor que precisava. Depois, nunca esperei receber a quantidade de mensagens que recebi. Houve pessoas que se identificaram muito com o meu caso. Ou porque já tiveram alguém da família que já passou pelo mesmo, ou porque elas próprias já sofreram com o mesmo problema... Acho que ficaram sensíveis à minha situação, principalmente muitas mães."

Ainda sem palavras para agradecer a onda de carinho que recebeu, Mariana sublinha a solidariedade dos portugueses. "Foi espetacular assistir a esta união. O ponto não é dar muito, mas ver que cada pessoa dá um bocadinho do que pode. Todos juntos fazemos a diferença. O gesto de cada pessoa, a empatia, dar um bocado do que tem a alguém que não conhece. É generosidade ao mais alto nível."

No fim do crowdfunding, Mariana conseguiu angariar 79 mill e 751 euros, mais 22 mil euros do que o previsto, o que lhe assegura, pelo menos, mais um ciclo de tratamentos.

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O crowdfunding de Mariana Megre

A MEDITAÇÃO, OS FILHOS E ALEGRIA DE VIVER

Há três anos que Mariana luta contra este maldito cancro, mas garante que nunca lhe deu tréguas. A agricultora não baixa os braços e só para quando o corpo não lhe dá outro remédio. "Tenho quatro filhos. Sou uma pessoa muito positiva. Apercebi-me que mantendo o meu dia a dia e conseguindo estar com os meus filhos, conseguir fazer a minha vida normal, era o que me mantinha bem. Para mim o mais complicado de gerir foi ter que estar constantemente no médico, a fazer tratamentos, não estar disponível para os meus filhos, não poder fazer as coisas que gosto, ou seja, não ter um dia-a-dia dito normal. 
Sou apologista a 100% de só perder tempo deitada no sofá ou na cama se estiver mesmo mesmo mal. De resto, combato sempre: seja com uma caminhada, estar na rua, fazer qualquer coisa positiva.

A meditação tornou-se essencial para ultrapassar os dias mais duros e desfrutar de cada momento com a intensidade com que ele merece ser vivido. "
Já tinha tirado um curso de meditação que se tornou mais intenso. Ensinou-me a estar mais focada no presente e menos ansiosa no que vai vir. É impossível controlar e estou a fazer tudo o que posso para combater isto e isso deixa-me muito tranquila. O resto não posso controlar e, como não posso, tenho que aproveitar o que tenho agora: seja estar em casa com os meus filhos, levá-los ao parque nem que seja 5 minutos, recebê-los quando veem da escola e estar disponível para eles."

"Sou apologista a 100% de só perder tempo deitada no sofá ou na cama se estiver mesmo mal. De resto, combato sempre."

Estes três anos puseram Mariana à prova e, inevitavelmente, mudou a forma de ver a vida: "Acho que mudei para melhor. Passei a viver com mais calma. Temos que dar importância às pequenas coisas. Acho que foi a maior lição. Viver tudo com calma, aproveitar. Estarmos presentes naquilo que estamos a fazer. Sou mais consciente das coisas que faço, das coisas que digo, muito mais... Além disso, acho que tenho uma força gigante. Sempre tive e aqui sobressaiu ainda mais."

O ALERTA: "CONHEÇAM O VOSSO CORPO!"

Mariana alerta todos aqueles que possam sentir qualquer coisa - por mínima que seja - no seu corpo. "
Acho que as pessoas têm que estar muito atentas porque quando o cancro é diagnosticado precocemente é muito mais simples e mais fácil de curar. As mulheres têm que estar muito atentas, apalparem-se e conheçam o vosso corpo! Se sentirem alguma coisa, mesmo que achem que não é nada, não adiem consultas. Têm que ser logo vistas. Lidar com o problema rapidamente."

"Acho que mudei para melhor. Passei a viver a vida com mais calma. Temos que dar importância às pequenas coisas. Acho que essa foi a maior lição."

Confiante de que encontrou a sua cura, esta mulher continua positiva: "Acredito e tenho imensa esperança que este tratamento traga a minha cura. O meu foco está aí mas nunca sabemos o dia de amanhã. As respostas a este ensaio clínico são muito positivas. Algumas mulheres conseguiram a cura, outras conseguiram viver muito mais tempo... Depende muito das pessoas. Uma pessoa ter força e acreditar, visualizar que vai tudo correr bem é meio caminho para que tudo funcione."

E, mais do que ter um final feliz, Mariana deseja que todas as mulheres em Portugal consigam usufruir deste mesmo direito: "A nossa esperança é que o medicamento venha para Portugal e que eu possa continuar o meu tratamento cá. Não sou só eu que estou nesta situação! Seria muito importante que fosse aprovado rapidamente."









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