Na sua mais recente crónica no 'Diário de Notícias', Luís Osório partilhou um gesto louvável que Luís Marques Mendes teve para com um amigo comum.
"Um amigo contou-me que, num momento particularmente difícil, um daqueles em que os próximos se afastam como se tivéssemos lepra e o telefone deixa de tocar como antes, recebeu todos os dias uma chamada de Luís Marques Mendes. 'Então, está bom? E a família? Muita coragem.' Todos os santos dias, a horas diversas, lá recebia a mensagem", começa por contar o jornalista.
"O meu amigo perguntou-lhe a razão para o fazer tão diligentemente, respondeu-lhe que o fazia por saber o que são os momentos em que a solidão se pode tornar ensurdecedora", acrescenta.
De seguida, Luís Osório diz que Marques Mendes, que está de regresso à Abreu Advogado - na qual é consultor sénior e membro do Conselho Consultivo - após a derrota estrondosa na primeira volta das eleições presidenciais, se encontra precisamente num desses momentos.
"A estória é verdadeira e peca por defeito. E ajuda a definir o homem cuja derrota política foi estrondosa nas últimas presidenciais. Muitos dos que lhe ligavam antes deixaram de o fazer. Os que dele precisavam por causa do seu comentário semanal tornaram-se mudos e os que o rodeavam na expectativa de que se mudasse para o Palácio de Belém, zarparam para outro horizonte, para outros portos", escreve.
"Por isso, faço questão de deixar esta mensagem, esta pequena e justa atenção. Caro Luís, meu amigo, está bom? E a família? Muita coragem. E acrescento mais uma frase: “Não é uma surpresa, para si, que as coisas são o que são, mas não desista do país e de caminhar em direção ao futuro. Amanhã telefono.”", remata.