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Polémica

John Galliano cancelado por declarações racistas e antissemitas. Met Museum of Art chumba exposição do estilista

Diz o povo que "pela boca morre o peixe", e foi por tomar posições radicais em 2011 que o polémico designer britânico foi agora cancelado em Nova Iorque.
João Bénard Garcia
John Galliano rejeitado por declarações racistas e antissemitas. Met Museum of Art cancela exposição do estilista
FILE - Fashion designer John Galliano poses at the end
FILE--British designer John Galliano, 35, adjusts his model's outfit before his fall-winter ready-to-wear fashion collection in Paris in this March
EPA - FRANCE FAHSION GALLIANO - ACE - Fashion -
procedure on 01 March 2011 against their Chief Designer British
NEW YORK - NOVEMBER 17: Designer John Galliano attend the
Worldwide and John Galliano (Photo by KMazur/WireImage for Christian Dior
British fashion designer John Galliano (C) arrives to deliver his
British fashion designer John Galliano in Paris, March 20, 1995. (AP Photo/Lionel Cironneau)
FILE - Fashion designer John Galliano poses at the end
FILE--British designer John Galliano, 35, adjusts his model's outfit before his fall-winter ready-to-wear fashion collection in Paris in this March
EPA - FRANCE FAHSION GALLIANO - ACE - Fashion -
procedure on 01 March 2011 against their Chief Designer British
NEW YORK - NOVEMBER 17: Designer John Galliano attend the
Worldwide and John Galliano (Photo by KMazur/WireImage for Christian Dior
British fashion designer John Galliano (C) arrives to deliver his
British fashion designer John Galliano in Paris, March 20, 1995. (AP Photo/Lionel Cironneau)

O Metropolitan Museum of Art cancelou a exposição programada em homenagem ao designer britânico John Galliano, de 65 anos de idade, programação essa que anteriormente já tinha gerados fortes reações negativas junto da comunidade judaica e de outros setores devido às declarações antissemitas e racistas feitas pelo designer no passado recente.

'John Galliano: Horizons', a aguardada exposição de primavera do Costume Institute, que seria inaugurada durante a Met Gala anual, em maio de 2027, que é só o evento mais badalado do calendário da moda nos EUA, será substituída por outra exposição a designar, informou o responsável máximo do museu. "Após discussões ponderadas com John Galliano, decidimos, em conjunto, não prosseguir com a exposição", anunciou Max Hollein, diretor e CEO do museu, em comunicado.

Uma das principais críticas à exposição foi a presidente do Conselho Municipal de Nova York, Julie Menin, que divulgou um comunicado afirmando ter-se reunido várias vezes com o museu para expressar sua oposição a uma mostra em homenagem a Galliano. "Desde o início, disse-lhes que discordava veementemente dessa decisão e, neste momento de crescente antissemitismo, ela representaria um golpe devastador para a comunidade judaica", afirmou, avançando ser filha de uma sobrevivente do Holocausto. "Esta é a decisão correta, pois o dano e a dor que isso estava a causar eram simplesmente inaceitáveis", rematou.

O designer também se manifestou, assumindo culpas pelo passado: "Após muita reflexão e discussão com o Met e todos os envolvidos, decidi, com muita tristeza, que o melhor é não realizar a exposição neste momento. Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, em especial pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido por isso". O estilista chegou mesmo a ser julgado e condenado por antissemitismo num tribunal francês.

Galliano, é reconhecido como um dos maiores talentos contemporâneos do mundo da moda pelas suas criações arrojadas e extravagantes, esteve no auge do universo da moda por 14 anos como diretor criativo da Christian Dior. Foi demitido do cargo na sequência de uma série de comentários racistas e antissemitas proferidos por si entre 2010 e 2011, que vieram à tona e viralizaram.

Entre os comentários que John Galliano fez aos frequentadores do bar onde foi filmado, num vídeo que se veio a tornar viral e serviu de prova em tribunal das suas declarações, o designer afirmou coisas como: "Eu amo Hitler" e, dirigindo-se a alguns clientes de origem judaica, disse-lhes que as suas mães e antepassados deviam ter sido "gaseados". Fez ainda comentários bastante depreciativos a um cliente asiático.

Dispensado de imediato pela Dior, Galliano passou vários anos envolvido em esforços públicos e privados para reabilitar a sua imagem. Retornou ao mundo da moda em 2014, quando foi contratado pela Maison Margiela, em Paris, onde permaneceu durante uma década.

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