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Morreu o capitão de Abril Otelo Saraiva de Carvalho

É um dos principais rostos da revolução do 25 de abril de 1974. Tinha 84 anos e estava no hospital militar.
25 de julho de 2021 às 11:23
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Otelo Saraiva de Carvalho
Morreu o capitão de Abril, Otelo Saraiva de Carvalho, aos 84 anos. O  agora coronel de artilharia fez parte do grupo de militares que elaborou o plano de operações militares do 25 de abril de 1974. 

A notícia foi confirmada pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, que explicou que Otelo Saraiva de Carvalho se encontrava doente no Hospital Militar.

Saraiva de Carvalho nasceu em Lourenço Marques (atual Maputo), e Moçambique, a 31 de agosto de 1936 e foi mobilizado para Angola, em 1961, como capitão de artilharia.

Otelo Saraiva de Carvalho tinha 37 anos, era major quando se deu o 25 de Abril e foi membro do Conselho da Revolução e comandante-adjunto do COPCON (Comando Operacional do Continente).

Concorreu à presidência da República, em 1976, eleições ganhas por Ramalho Eanes. Otelo foi o segundo mais votado, com 16% dos votos.

Depois de um percurso político-militar atribulado, esteve preso na sequência do caso das Forças Populares 25 de Abril (FP 25), organização responsabilizada por vários atos terroristas, e libertado cinco anos mais tarde, após recurso da sentença de 15 anos. As FP-25 foram responsabilizadas por uma série de atentados nos anos 70 e 80. Otelo negou fazer parte desta organização. "Eu tinha anunciado que ia ser cabeça de lista da Força de Unidade Popular (FUP) nas legislativas que iam decorrer em Outubro de 1984 e o PCP não estava disponível a sofrer uma derrota como a sofrida nas presidenciais, em que o seu número dois (Octávio Pato) foi amplamente derrotado por mim, que tive 17 por cento, e ele sete por cento", chegou a afirmar em entrevista.

"Nunca mandei matar ninguém. Tenho horror a qualquer assassínio. Liquidar um ente humano é para mim extremamente doloroso, não concebo que alguém o consiga fazer. E no entanto tenho este rótulo que me é dado, sobretudo pela gente de direita", assumiu ainda.

Em 1996, foi amnistiado e em 2001 absolvido.


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