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Justiça

Choque fatal em campo pode ter consequências para Jesús Owono após a morte de Jesús de Miguel

Há uma investigação policial em curso, mas os especialistas em direito penal e desportivo já analisaram os cenários possíveis. Um processo criminal ou uma suspensão nos relvados são as hipóteses em cima da mesa.
Choque fatal em campo pode ter consequências para Jesús Owono após a morte de Jesús de Miguel
Jesús Owono
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A morte de Jesús de Miguel, jogador do Tenerife, na sequência do choque com Jesús Owono durante o encontro frente ao Andorra, poderá ter consequências para o guarda-redes. O futebolista, de 30 anos, sofreu uma paragem cardiorrespiratória em campo e acabou por morrer no hospital, na manhã desta terça-feira, 3 de novembro.

As autoridades abriram uma investigação para apurar as circunstâncias da morte. Segundo o Tribunal Superior de Justiça das Canárias, a abertura de diligências é um procedimento obrigatório perante uma morte sem causa natural, mesmo quando existe a possibilidade de se tratar de um acidente.

No plano criminal, os especialistas ouvidos pela imprensa espanhola consideram difícil que o guarda-redes venha a ser responsabilizado. O argumento central é o facto de o choque ter ocorrido durante uma jogada, com a bola em disputa, e não numa agressão à margem do jogo. José Luis Sánchez-Jáuregui, responsável máximo do Ministério Público na província de Santa Cruz de Tenerife também considera muito difícil que o caso avance para um processo penal, lembrando que a jurisprudência distingue os acidentes desportivos das agressões intencionais.

Já no plano disciplinar, a situação poderá ser diferente. O árbitro expulsou diretamente Jesús Owono e escreveu no relatório que o guarda-redes atingiu o adversário com a perna levantada, usando força excessiva, quando ambos disputavam a bola. Segundo a agência EFE, o organismo disciplinar competente poderá aplicar uma suspensão entre quatro e 12 jogos, tendo em conta a gravidade da ação e as consequências que dela resultaram. Entretanto, especialistas em direito desportivo ouvidos pelo 'El País' admitem mesmo que o guarda-redes possa receber a sanção máxima prevista para este tipo de infração.

Uma punição mais pesada, de dois a três anos, exigiria a demonstração de uma intenção inequívoca de causar dano. Um advogado, Toni Roca, considera que não existem elementos que apontem nesse sentido e afasta também a possibilidade de Owono perder a licença federativa, por não ser uma sanção prevista no regulamento.


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