O Brasil está em choque com a revelação do caso da empresária Andreia Vieira, que morreu horas depois de ter concretizado o sonho de fazer um conjunto de cirurgias plásticas, que prometiam rejuvenescê-la, melhorando o aspeto do rosto e pescoço. A profissional, que vivia em há cinco anos Espanha, aproveitou a visita ao seu país natal para programar as operações, que há muito ambicionava fazer, através do cirurgião Lessandro Martins, com o qual havia contactado através de uma página nas redes sociais.
As cirurgias começaram pelas 11h do dia 11 de agosto, no hospital em Goiânia, em Goiás, e terminaram por volta das 16h, sendo que antes do procedimento Andreia apenas teria tido consultas por telefone, recebendo todas as orientações à distância acerca da operação. No total, a empresária, de 51 anos, foi submetida a seis procedimentos, tendo sido reposicionados tecidos e músculos, bem como a linha do cabelo, além de retirada gordura do pescoço, excesso de pele e gordura das pálpebras, entre outros. Depois das oito horas no bloco, Andreia foi encaminhada para o quarto de recobro, onde a irmã, Djiane, percebeu imediatamente que algo não estava bem.
"Estava com a língua muito inchada e não conseguia fechar a boca", afirmou à imprensa brasileira, acrescentando que o quadro se agravou em poucas horas, com a irmã a apresentar falta de ar e queixar-se com fortes dores no pescoço, ao ponto de ter afirmado: "Mana, eu estou a morrer". No entanto, quando o cirurgião foi visitar a paciente, pelas 20h00, indicou que a operação tinha sido "um sucesso", desvalorizando as queixas de Andreia, que dizia serem normais para o quadro em questão. Com o estado a continuar a progredir negativamente, as queixas da empresária continuaram a ser negligenciadas com a equipa da enfermagem que a acompanhava a afirmar que se tratava de "frescura" da mulher.
Por volta das 22h00, Andreia terá começado a gritar a pedir por socorro, mas a médica que a observou prescreveu um novo analgésico. Pelas 2h15, a paciente sofreu uma queda abrupta da saturação e entrou em paragem cardiorrespiratória. Foram feitas manobras de reanimação, mas o óbito seria declarado duas horas depois, com a irmã a denunciar todo o caso de negligência que agora é investigado pelo Ministério Público. "Eu preciso de fazer Justiça", disse a irmã, que garante que o médico negligenciou dados concretos dos exames de sangue enviados anteriormente por Andreia, que apresentaria uma infeção, que o cirurgião disse não ser impeditiva à operação. Além disso, Djiane garantiu que o hospital não está preparado para casos graves e de emergência médica, não reunindo condições caso haja complicações como aconteceu com a sua irmã.