Juan Carlos regressou este domingo, dia 5, a Espanha, diretamente do seu exílio em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos. O rei emérito vai marcar presença numa corrida de touros em Sevilha e deverá permanecer alguns dias no seu país, a pretexto das comemorações da Semana Santa.
Neste regresso, não é certo se estará com o filho Felipe e a nora Letizia - com quem não mantém grandes relações aos dias de hoje - nem com as filhas destes, de quem diz ter sido afastado ao longo dos anos. No entanto, Juan Carlos não estará sem família na Páscoa e prova disso foi o vídeo divulgado do momento da chegada do monarca a Sevilha e em que se pode ver o sentido e longo abraço à sua neta Victoria Frederica - filha da infanta Elena - que está a comover Espanha.
Além da neta, Juan Carlos terá ainda a companhia de uma das filhas, a Infanta Elena, com a família real espanhola a manter-se dividida na Páscoa.
Recorde-se que no seu livro de memórias, lançado recentemente, Juan Carlos expôs as delicadas dinâmicas familiares. Sobre a nora, o rei emérito admite que sempre teve um ascendente forte na vida de Felipe e que as mudanças começaram logo no início da relação, com este a afastar-se "não só dos pais e das próprias irmãs" como também de alguns amigos de infância. No entanto, garante que apesar de se ter apercebido disso desde muito cedo, nunca tentou interferir nas escolhas do filho. “[Felipe] tinha trinta e quatro anos e sabia o que queria. Assim como com as minhas filhas, que se casaram com os homens que amavam. Nunca tentei influenciá-las ou fazer de cupido. E se tentei, foi em vão”, pode ler-se no livro.
Apesar das divergências, Juan Carlos tinha esperança que, com o passar dos anos, pudesse haver uma maior harmonia na família, algo que, admite, nunca aconteceu e que o rei fazia para que não fosse notório nos compromissos públicos em que tinham de estar juntos. "O sucesso deles enquanto casal era uma garantia para o futuro da Coroa."
A maior dor, afirma agora Juan Carlos, prende-se com o facto de a má relação com Letizia ter interferido na convivência com as netas, Sofia e Leonor, que o rei emérito afiança que, apesar de afetuosa, nunca foi cúmplice, à semelhança do que acontecia com os seus outros netos.
“Elas são muito elegantes e afetuosas, mas entristecia-me não poder estabelecer um relacionamento mais pessoal com elas, contar histórias, partilhar refeições em restaurantes, viajar com elas, levá-las a assistir a jogos, como fazia com os meus outros netos."
No livro, Juan Carlos elogia a forma como o filho e a nora educaram as filhas, mas diz que sempre lhes faltou esse contacto próximo com a família, algo que não era apenas dirigido a si, mas também à mulher, a rainha Sofia. "A minha mulher nunca pôde recebê-las sozinha em Palma, como costuma fazer com todos os seus primos. Ela via as netas ocasionalmente, mas adoraria tê-las visto com mais frequência, especialmente porque moram a apenas cem metros de distância. Queria transmitir-lhes a nossa genealogia, história e valores familiares. E alguns conselhos de uma ex-rainha com um histórico impecável para uma futura rainha", disse, acusando Letizia de não se esforçar por contrariar a sua natureza e de ter tentado criar pontes entre a família, ao contrário do que ele próprio afirma ter feito. “Sempre fui um lobo solitário (foi assim que fui criado), mas cumpri o meu papel de homem de família de coração: reunia os meus filhos com a avó para o almoço de domingo, as minhas irmãs e as suas famílias para o Natal, e sempre estive disponível para meus primos, sobrinhos e sobrinhas, e meus muitos afilhados.”