Foi a sorte que nos protegeu naqueles milésimos de segundos. Os mesmos que nos fizeram agir em sintonia protegendo-nos da forma possível. Respirei fundo e sem cometer nenhuma contra ordenação, assim que foi possível segui o carro assassino. Afinal, quem é que colocou em risco a vida de tanta gente. Seria uma emergência? Seria um ego acelerado, para mostrar à miúda do lado a potência do seu pequeno carro? Seria alguém com pressa de chegar indiferente ao mundo que o rodeia? Seria alguém frustrado com a vida? Fui ver. Era uma sonsa. Que confrontada com o que fez apenas encolheu os ombros abriu a boca e nada disse. Uma sonsa assassina acéfala queria chegar depressa, mas teve que levar com o meu feitio. Foi atrás de mim o resto do caminho à minha lenta velocidade. Sem a mínima hipótese de me ultrapassar. Enquanto isso o meu sangue de mãe leoa corria-me nas veias em modo fórmula 1.
Serve este acontecimento para alertar uma vez mais: Pensem duas vezes antes de meter a vossa vida e a dos outros em risco. Ninguém é mais do que ninguém. Num segundo tudo muda. E hoje foi por pouco. Parte boa. Quando cheguei a casa, um vizinho cavalheiro abriu-me a porta, chamou o elevador e acalmou-me com o seu pequeno gesto, mesmo sem o saber. Agradeci", conta Catarina Camacho.