A atriz Isabél Zuaa - que foi à edição dos Óscares deste ano por integrar o elenco do filme 'O Agente Secreto', nomeado para quatro estatuetas, incluindo 'Melhor Filme' e 'Melhor Casting' - acusou o diretor técnico do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, de racismo.
Por isso mesmo, a atriz, de origem guineense e angolana, cancelou em cima da hora o seu espetáculo ‘Afro Sal.Oyá’, na passada quinta-feira.
Ao jornal ‘Público’, Isabél explicou que, três horas antes da estreia, uma técnica do teatro fez baixar um microfone de forma “abrupta” e quase a atingiu na cabeça, o que a levou a protestar. Pouco depois, o diretor técnico de A Oficina - entidade que gere e programa aquele centro cultural - terá entrado em palco e falado com a atriz, de 39 anos. “Aponta-me o dedo à cara e diz ‘Ou vais pedir desculpa agora à minha técnica ou não vai haver espetáculo’”, relatou.
“Se eu fosse uma pessoa branca, não iam interromper o ensaio geral e fazer ameaças com o dedo apontado na minha cara”, acrescentou.
A Oficina já reagiu à polémica, em comunicado enviado às redações. A entidade garante que “não tolera qualquer forma de racismo, sexismo ou assédio e leva muito a sério todas as alegações dessa natureza”. “Face à denúncia apresentada pela artista, a direção executiva instaurou um processo de averiguação interno e decidiu enviar uma participação ao Ministério Público para que a situação possa ser investigada”, lê-se no texto, assinado pelo presidente executivo de 'A Oficina', Esser Jorge Silva.
Há 15 anos que Isabél se divide entre Portugal e o Brasil. Nascida em Lisboa e criada em Loures, a atriz estudou representação no Conservatório, no Chapitô e na Escola Superior de Teatro e Cinema e depois fez um intercâmbio no Rio de Janeiro, em Artes Cénicas. Trabalha entre o teatro, a dança e o cinema.