“Eu não posso apresentar um programa de televisão onde se normalize que alguém com 120 quilos está bem.” A frase de Cláudio Ramos, dirigida, olhos nos olhos, a Ana Rita Barros, influenciadora plus size conhecida pela rubrica 'Conversas com a Gorda', durante a sua participação no 'Dois às 10', da TVI, num programa dedicado ao preconceito, suscitou uma onda de críticas contra o apresentador.
“Sinto que fui um bocadinho atacada. Fui convidada para estar lá e senti-me mesmo atacada, principalmente pelo Cláudio Ramos, numa de quase preconceito”, lamentou Ana Rita Barros, pouco depois de sair das instalações da TVI, em Queluz de Baixo. Através de um vídeo publicado no TikTok, a influenciadora deixou um sentido desabafo sobre o desconforto que sentiu durante a emissão.
Tudo aconteceu na passada quarta-feira, dia 22, e a polémica manteve-se acesa nas redes sociais. Ainda assim, Cláudio Ramos só decidiu quebrar o silêncio este domingo, 26. "Parece que, de repente, o mundo se divide entre gordos e magros, mas não. O mundo divide-se entre boas e más pessoas e eu sou dos que aprecia as boas porque, para mim, importa zero se são gordos, magros, pretos, brancos, amarelos, verdes, se usam óculos ou lentes de contacto, cabelo liso ou caracóis, se são altos ou baixos. A mim importa que sejam livres e felizes. É nisso que se baseia a minha forma de estar", começou por escrever numa publicação no Instagram.
E prosseguiu: "Óbvio que nem todas as pessoas têm de concordar com o que se diz, mas todas têm a obrigação de entender o contexto. Temos um partido político que usa muito as coisas fora de contexto e percebe-se o perigo que corremos."
O apresentador dirigiu-se, depois, aos críticos: "Sou super a favor de discutir temas e acho que também aqui o mundo se divide. Há os que aproveitam para discutir de forma interessante e outros que, na escuridão onde vivem, veem aqui uma luz para aparecer. Não condeno, mas questiono os que falam de empatia e usam o ódio para tentar passar os argumentos que não têm. Comigo não adianta, já expliquei que não me tira o sono."
"No entanto, convém lembrar que a obesidade é uma doença e um dos enormes problemas que a OMS luta para combater. Obviamente, não acho que a felicidade se defina pelo peso da balança, mas é um problema de saúde. Eu seria mais feliz sem os problemas de saúde que tenho e, tendo alguns, falo por experiência própria. Se em 2026 eu não puder fazer esta pergunta é porque me adianta pouco descer a avenida a cada 25 de Abril", atira o apresentador do 'Dois às 10'.
E termina: "Mas este é o meu ponto de vista, que considera também que nenhuma pessoa com excesso de peso tem de se esconder ou deixar de fazer o que entende por causa do que lhe diz a balança ou o espelho. No entanto, tem a obrigação de não passar a mensagem irresponsável de que se pode comer fritos, chocolates e beber refrigerantes todos os dias e, alegremente, ser-se preguiçoso quando o objetivo é influenciar jovens. Mas isto sou eu, que não me deixo influenciar por ninguém e como dois litros de gelado por semana!"