Aos 42 anos, Nelson Évora colocou um ponto final na carreira no triplo salto. O atleta despediu-se da modalidade na última quinta-feira, 6 de agosto, com um salto de grande simbolismo no Estádio da Universidade de Lisboa.
Depois de três anos afastado das competições, Nelson Évora regressou no passado dia 25 de julho para aquela que viria a ser a sua última prova. O atleta conseguiu um salto de 16,03 metros e conquistou, pela 13.ª vez, o título de campeão nacional.
Em declarações aos jornalistas, Nelson Évora explicou que o regresso à competição não tinha como principal objetivo voltar a ser campeão, mas recuperar a alegria de fazer aquilo que sempre amou. "Não foi uma coisa planeada para ser assim - treinar para ser campeão nacional. Eu tinha ambição de voltar a ter alegria e saltar", disse.
O atleta reconhece, que o passar dos anos trouxe novas dificuldades e que o corpo já não responde da mesma forma que durante as duas décadas de carreira. "É difícil trabalhar o corpo para responder da melhor forma e fazer um bom triplo salto”, afirmou. Ainda assim, garante: “estou feliz e sinto-me completo".
Ao longo da carreira, Nelson Évora viveu alguns dos momentos mais marcantes do atletismo português. Entre eles está, naturalmente, a conquista da medalha de ouro no triplo salto nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. "Sem dúvida, o momento mais alto da minha carreira é o título olímpico. É o máximo que um atleta pode atingir", afirmou.
Mas o percurso do atleta também ficou marcado por momentos particularmente dolorosos. Em 2011, Nelson Évora sofreu uma grave lesão na perna e, poucos meses depois, perdeu o pai, que descreve como uma das suas maiores fontes de apoio."O momento mais baixo foi quando me lesiono na perna e poucos meses depois perco o meu pai. Era quem me apoiava incondicionalmente", relembrou.
Apesar das dificuldades, Nelson Évora olha para as duas décadas de carreira com orgulho e sem arrependimentos. "Valeu a pena a cada segundo", revelou, naquele que foi o adeus definitivo ao triplo salto.